Saúde gastou R$ 100 milhões em Tamiflu e aumentou distribuição do medicamento, ineficaz contra a covid-19

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Tamiflu pills, Frankfurt, central Germany, photo
Tamiflu é eficaz contra a H1N1, mas não contra a covid-19 (Foto: Getty Images)
  • Brasil ampliou a encomenda de Tamiflu ao longo de 2020

  • Número de medicamentos comprados é três vezes maior do que a média anual desde 2009

  • Medicamento já se provou ineficaz contra a covid-19, mas é eficaz contra a H1N1

Durante a pandemia do coronavírus, o Ministério da Saúde gastou mais de R$ 100 milhões para aumentar a produção e a distribuição do medicamento fosfato de oseltamivir, o Tamiflu. As informações são do jornal O Globo.

Em maio de 2020, o próprio ministério recomendou que o remédio fosse administrado em todos os quadros de síndrome gripal ou de síndrome respiratória aguda grade (SRAG). Em janeiro de 2021, a orientação foi revista, mês em que Manaus teve o colapso hospitalar e falta de oxigênio.

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No mês, a pasta enviou 425 mil comprimidos para o Amazonas. O pretexto era de que o medicamento seria eficaz no combate à gripe. A quantidade de Tamiflu repassada para o estado em 12 janeiro igualou o total enviado ao Amazonas em todo o ano de 2020. No mesmo dia, o Ministério da Saúde assinou um parecer técnico que revogou a orientação do uso excepcional do “fosfato de oseltamivir durante a pandemia de covid-19”.

O Tamiflu é um remédio eficaz contra a influenza e contra o H1N1. Durante a epidemia de gripe suína, o medicamento ficou mais conhecido. Segundo dados da Fiocruz, ao longo de 2020, 2,2 mil pessoas tiveram influenza, uma queda de 67% em relação aos dois anos anteriores.

Mesmo com a diminuição no número de casos, o governo federal encomendou 20,8 milhões de comprimidos de Tamiflu quando a pandemia começou.

O levantamento feito pelo Globo mostra que a encomenda de Tamiflu em 2020 é cerca de três vezes maior do que os pedidos feitos anualmente desde 2009, quando o medicamento passou a ser usado no tratamento de H1N1.

Ao jornal O Globo, a prefeitura de Manaus informou que pediu 250 mil comprimidos de Tamiflu em janeiro, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde até então.

“O medicamento é utilizado em grávidas e em casos com indicações pelo Ministério da Saúde. A orientação é iniciar o Tamiflu antes mesmo de confirmação por meio de exame. Em Manaus, são muitas as ocorrências de síndromes respiratórias que estão em investigação. A nível de Atenção Primária, a indicação do MS é que seja iniciado o tratamento precoce com o Tamiflu”.

O governo estadual do Amazonas, por sua vez, disse que esperava que os casos de influenza aumentassem durante o “inverno amazônico”, de novembro até junho.

O Ministério da Saúde foi procurado, mas não retornou.

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