Auxílio a saúde mental: o novo benefício que as empresas devem ter

Síndrome de burnout compromete quase 30% dos trabalhadores brasileiros (Foto: Getty Images)

Por Matheus Mans

Foi-se o tempo em que empresas ofereciam apenas um plano de saúde enxuto, com poucas opções. Nos últimos tempos, startups estão desbravando um mercado de produtos e soluções para que funcionários passem a tratar a saúde mental. Atendimento psicológico, alimentação saudável e exercícios físicos se tornaram preocupação das grandes empresas.


Hoje, as doenças mentais estão afastando cada vez mais funcionários. A síndrome de burnout, que é o esgotamento por conta do trabalho, passou a ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e já afeta cerca de 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros, segundo a International Stress Management Association no Brasil.

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No Brasil, somente os afastamentos por ansiedade custaram R$ 1,3 bilhões em 2016 à Secretaria da Previdência. Estima-se que 20% dos funcionários ativos estejam trabalhando sob forte pressão emocional, comprometendo a saúde física e psíquica, o que resulta em prejuízos relacionados à queda na produtividade, absenteísmo e turn over elevado.

“As pessoas estão cada vez mais se afastando de suas funções no trabalho por conta de burnout, depressão, ansiedade. E é um prejuízo para o trabalhador e para a empresa, que perde um funcionário por um longo período”, diz Nelson Fragoso, professor de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “É preciso se preparar e se precaver nesse cenário”.

Sessão de terapia

Uma empresa que tem apresentado soluções para tentar prevenir a estafa emocional no trabalho é a Vittude. Dentre outras coisas, a startup que conecta pacientes e psicólogos firmou parcerias com empresas, que pagam um valor fixo mensal por colaborador, para que tenham acesso à sua rede de psicólogos — que hoje já está com 3 mil profissionais.

As sessões de terapia podem ser realizadas de forma presencial ou online para que funcionários que moram em cidades menores ou outros países também usem a solução.

“A geração mais nova está se importando mais com saúde mental. Ter esse diferencial, em sua empresa, te ajuda a atrair mais talentos”, afirma a fundadora e CEO da Vittude, Tatiana Pimenta. “Além disso, segundo a OMS, a cada U$$ 1 investido em tratamentos preventivos de saúde mental, U$$4 retornam em forma de produtividade e engajamento no trabalho”.

Tatiana Pimenta, CEO e fundadora da Vittude (Foto: Divulgação)

A Vittude está presente em mais de 50 países e a plataforma conta com mais de 13 mil pacientes. Assim, são realizados, em média, 4 mil atendimentos por mês. Muito disso está vindo de grandes empresas clientes, como as startups Resultados Digitais, 99 e Eduk.

“O RH está tomando um aspecto cada vez mais estratégico. Não dá para ser só folha de pagamento”, afirma a empreendedora. “Chegamos no mercado há três anos, mas estamos vendo apenas agora uma onda de preocupação com a saúde mental dos colaboradores. E é algo que, felizmente, está quebrando um tabu enraizado com o tema nas empresas.”

Preparação

Além de psicólogos, outras startups estão buscando melhorias para os colaboradores. A Gympass, por exemplo, é um benefício corporativo que promove acesso a uma rede com mais de 37 mil estabelecimentos de atividade física em 15 países. A ideia é que, oferecendo um desconto de 50% a 70% no plano da academia, os funcionários encontrem um esporte.

A empresa, hoje, já faz parte do time dos unicórnios — aquelas startups que valem mais que US$ 1 bilhão. São mais de 2 mil empresas atendidas com o plano corporativo e o próximo passa da startup é conquistar outros mercados — a Ásia é quem está na mira primeiro.

Já a Hisnëk começou, unicamente, como um clube de assinatura para snacks saudáveis. Hoje, mudou bastante seu posicionamento no mercado: criou um robô, baseado em inteligência artificial, chamado IVI. Por meio de um sistema de vídeo bot, ele conversa com os funcionários e entende o comportamento de cada um a partir de padrões estabelecidos.

Carol Dassie, fundadora e CEO da Hisnëk (Foto: Divulgação)

Com isso, cria-se um relatório mensal que analisa se as ações de bem-estar promovidas pela Hisnëk  foram eficazes. A inteligência artificial também é capaz de oferecer conteúdos específicos para as necessidades de cada colaborador, com especial foco à síndrome de burnout. Os snacks saudáveis continuam a ser oferecidos ao trabalhar o pilar da nutrição.

“Queremos fazer com que o colaborador fique mais motivado e produtivo no trabalho”, afirma a fundadora e CEO, Carol Dassie. “Queremos ser a que olha pra saúde mental, pra nutrição, para o bem-estar. Se a empresa não focar na saúde mental, o ambiente vai sendo contaminado.”