Saúde recomenda suspensão de vacinação de adolescentes sem comorbidades e frustra jovens

·3 min de leitura
A health worker prepares a jab of the Pfizer-BioNtech Covid-19 vaccine at the Cau Hansen's Event Center, located in the city of Joinville, state of Santa Catarina, Brazil, on August 27, 2021. - Adults in Joinville get the shot of the COVID-19 vaccine in the upper part of their buttocks since the beginning of the campaign in January, but a picture of a resident being inoculated made the practise viral, which the local authority justifies for giving less adverse reactions. (Photo by Carlos  JUNIOR / AFP) (Photo by CARLOS  JUNIOR/AFP via Getty Images)
Adolescentes que estavam na fila deixaram postos de vacinação após suspensão da imunização de jovens sem comorbidades (Foto: Carlos Junior/AFP via Getty Images)
  • Ministério da Saúde recomendou a suspensão de vacinação de jovens de 12 a 17 anos sem comorbidades

  • Pasta cita que OMS não recomenda vacinação do grupo, mas nota da organização tem informação diferente

  • Pelo Brasil, jovens estavam na fila para serem vacinados, quando suspensão foi acatada

Na noite da última quarta-feira (15), o Ministério de Saúde divulgou uma nota recomendado a suspensão da vacinação de jovens entre 12 e 17 anos sem comorbidades contra a covid-19. Segundo a pasta, houve uma “recomendação para a imunização” deste grupo, feita pela Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 – mesmo com a aprovação pela Anvisa do uso da Pfizer para esta faixa etária.

Segundo a pasta, devem continuar a ser imunizados jovens entre 12 e 17 anos com comorbidades, com deficiência permanente ou jovens provados de liberdade.

“A Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, na Nota Técnica nº 40/2021-SECOVID/GAB/SECOVID/MS, revisou a recomendação para imunização contra COVID-19 em adolescentes de 12 a 17 anos, restringindo o seu emprego somente aos adolescentes de 12 a 17 anos que apresentem deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade, apesar da autorização pela Anvisa do uso da Vacina Cominarty (Pfizer/Biontech)”, diz o Ministério da Saúde.

O documento foi assinado por Rosana Leite de Melo, secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid.

A nota lista seis motivos para a revisão dessa vacinação. Veja abaixo os motivos litados pelo Ministério da Saúde:

  • A Organização Mundial de Saúde não recomenda a imunização de criança e adolescente, com ou sem comorbidades;

  • A maioria dos adolescentes sem comorbidades acometidos pela COVID-19 apresentam evolução benigna, apresentando-se assintomáticos ou oligossintomáticos;

  • Somente um imunizante foi avaliado em ECR;

  • Os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão claramente definidos;

  • Apesar dos eventos adversos graves decorrentes da vacinação serem raros, sobretudo a ocorrência de miocardite (16 casos a cada 1.000.000 de pessoas que recebem duas doses da vacina);

  • Redução na média móvel de casos e óbitos (queda de 60% no número de casos e queda de mais de 58% no número de óbitos por covid-19 nos últimos 60 dias) com melhora do cenário epidemiológico.

O que diz a Organização Mundial da Saúde

A primeira justificativa do Ministério da Saúde é que a OMS não recomenda a imunização de crianças e adolescentes, seja com ou sem comorbidades. No entanto, a indicação da organização é diferente.

Em nota publicada em 14 de julho de 2021, a Organização Mundial da Saúde afirmou que o Grupo de Especialistas de Aconselhamento Estratégico concluiu que a vacina da Pfizer é indicada para a vacinação de pessoas a partir dos 12 anos.

“Crianças de idade entre 12 e 15 anos que tem alto rico devem receber a vacina ao mesmo tempo que outros grupos prioritários para a vacinação”, diz a OMS. “Testes de vacinas em crianças estão em andamento e a OMS vai atualizar suas recomendações quando as evidências ou a situação epidemiológica requererem mudanças.” A organização cita jovens até 15 anos, porque a bula da Pfizer indica que a vacina já era permitida a partir dos 16 anos desde os primeiros estudos. 

A Organização Mundial da Saúde afirma que crianças e adolescentes tendem a ter efeitos menos graves da covid-19 e, por isso, a menos que sejam parte de grupos de risco, é menos urgente vacina-los em relação a pessoas mais velhas.

Suspenção da vacinação pelo Brasil

Segundo informações do portal G1, a prefeitura de Natal se baseou na nota do Ministério da Saúde para suspender a vacinação de jovens sem comorbidades. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (16), mesmo dia quando os jovens de 17 anos sem comorbidades começariam a ser imunizados.

Em Salvador, a vacinação também foi suspensa após a divulgação da nota. De acordo com informações do G1, adolescentes estavam na fila quando foram informados que a imunização estava suspensa.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos