Saulo Jennings, da badalada Casa do Saulo, abre restaurante no Rio

Toda a semana, chegam isopores ao Aeroporto Santos Dumont recheados de pirarucu, tambaqui, queijo de Marajó, feijão de Santarém, farinha de mandioca, cupuaçu, taperebá e muito outros ingredientes diretamente de Santarém, no Pará. Dali, a entrega parte para o Museu do Amanhã, onde foi aberta uma filial da Casa do Saulo, restaurante famoso por lá e que inaugura seu primeiro endereço fora do estado. A vontade de Saulo Jennings de estender horizontes já existia, mas faltava um lugar que enchesse os olhos. “Quando cheguei aqui, tive certeza. Um pré-requisito é estar à beira da água”, conta ele, que passa dez dias do mês no Rio.

Com um menu parecido com os das outras casas (além do original Casa do Saulo Tapajós, aberto em 2014, ele inaugurou o Onze Janelas, em 2019, e o Quinta, em 2021), há receitas clássicas como o Piracaia, peixe (pode ser tambaqui, mapará ou ventrecha de pirarucu) assado na brasa com banana-da-terra, arroz de chicória, farofa, farinha e vinagrete de feijão de Santarém; o Casa do Saulo, pirarucu grelhado com molho de castanha-do-pará, banana-da-terra, camarão-rosa, arroz e farofa; além de um prato exclusivo do Rio, a feijoqueca, um medalhão de pirarucu e camarão-rosa no molho aromatizado com cumaru, feijão de Santarém, banana-da-terra e crispy de jambu.

Tudo preparado com produtos de pequeno produtor. “Antes de ser chef, sou ativista. Mudei a realidade de comunidades. Uso produtos de 600 famílias. Por mês, são dez toneladas de peixe consumidas em meus restaurantes. Ainda pago para eles o mercado mais R$ 1”, conta o chef de 45 anos. “A minha proposta de cozinha é trazer verdade, histórias e ancestralidade. Não são casas de técnicas gastronômicas, é mais de conhecimento, de mãe, de afeto, bem empírica. Meu trabalho é resgatar, valorizar e devolver a qualidade de vida para a comunidade”, conta.

Para chegar a esses altos números, Saulo passou alguns perrengues. Formado em Administração, passou a pescar para comer ao ficar desempregado. Da casa simples à beira do Tapajós, dava aula de kitesurf e começou a fazer peixe assado para os alunos ao fim da aula. “Percebi que eles começaram a ir mais pelo peixe do que pela aula”, lembra. Até que ele resolveu colocar cinco mesinhas na varanda e chamar 20 amigos e oficializar o restaurante. Deu certo. A casa cresceu, as mesas aumentaram e hoje são 360 lugares só na Casa do Saulo Tapajós, onde chegam a passar 1.200 pessoas por dia. Além disso, ele abriu uma pousada e um barco de experiência. “O próximo será um restaurante escola em Belterra para profissionalizar a comunidade dali”, adianta.

Ele não para.

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