Casas inspiradas em "Transformers", uma arquitetura inovadora na Bolívia

Yolanda Salazar.

La Paz, 24 abr (EFE).- Os robôs do filme "Transformers" viraram fonte de inspiração para a construção de casas nas cidades bolivianas de La Paz e El Alto, onde passaram a dividir a fama com os edifícios coloridos conhecidos como "cholets".

A paixão do construtor Santos Churata pelas histórias em quadrinhos e filmes dos robôs rendeu ideias para novos desenhos, fachadas, portas e janelas de seus edifícios, que parecem ganhar vida e impressionam as pessoas.

"Sempre achei o filme dos 'Transformers' interessante e desde criança me parecia incrível. Quando cresci, fiquei animado para alterar uma das fachadas. As pessoas achavam que eu estava louco", lembrou Churata.

Natural da província de Pacajes, no departamento de La Paz, o criador de 33 anos diz não ter a profissão de arquiteto, mas que aprendeu o ofício do pai, com o qual trabalhava desde os 16 anos. O avô era quem o ajudava a estudar e desenhar, sua grande paixão.

Já foram construídas cerca de 30 obras, principalmente em El Alto, mas são quatro dessas que mais orgulham Churata por não serem casas normais, mas "robóticas".

A cidade de El Alto tem uma das mais altas taxas de pobreza da Bolívia, mas também reúne gigantes do comércio que são os proprietários destas singulares construções.

Churata construiu a primeira casa evocando a imagem do autobot Sentinel Prime no bairro de Villa Adela, com uma fachada de cores vermelha, azul e prata, e vidros pretos que dão forma a um rosto robótico.

"Até a obra do interior eu fiz para que fosse pintada dessa maneira, tudo estava robotizado, mas os proprietários acreditavam que era muito infantil e pintaram com outras cores", relatou.

As portas são prateadas e possuem o logotipo dos "Transformers", da mesma forma que o piso, que tem o mesmo rosto gravado em cerâmica, um trabalho detalhado que levou anos para ser concluído.

A segunda obra fica no bairro de Pampahasi, no qual construiu um Optimus Prime com muitos detalhes e mais uso das cores vermelha, azul, branco e prata.

A maioria dos materiais usados são importados da China e algumas partes das casas são trazidas pelos próprios proprietários, que usam porcelanato e pinturas brilhosas.

A terceira casa se encontra na avenida Litoral, de El Alto, e leva o nome de "O gigante de aço", com uma fachada de alumínio pintado de ouro e azul, além de parafusos gigantescos como parte da decoração externa e do salão de festas.

O proprietário desta casa em forma de robô é Valerio Condori, que disse à Agência Efe que começou "muito de baixo" até se tornar um próspero comerciante de batatas do Peru.

"Não sou de uma alta sociedade como o robô do gigante de aço com o qual quero transmitir a humildade", afirmou Condori, que também encomendou a construção de uma casa para a esposa inspirada em um castelo da Disney.

A casa "O gigante de aço" tem cinco andares, um salão de festas "robótico" com cores azul, vermelha e branca e cerâmicas em 3D de uma forma metálica preta em meio do salão.

A quarta construção de Churata está em andamento e é uma casa situada na avenida 16 de Julio de El Alto, que será inaugurada ainda neste ano e terá a cabeça do Homem de Ferro, que ainda não foi colocada.

O edifício está coberto para os curiosos e será uma surpresa, mas Churata está orgulhoso de seu trabalho porque fazer a cabeça do Homem de Ferro foi um trabalho sem precedentes, segundo o próprio.

Todas essas construções são diferentes do estilo "cholet", que está na moda entre a alta sociedade de El Alto e que tem ficado famoso pela singular arquitetura, contrastes de cores e variados desenhos com emblemas das culturas andinas.

Churata tem vários clientes que o pedem para construir ou remodelar casas, centros de convenções, galerias ou lojas, e ele trabalha para entregar um modelo exclusivo para cada um.

"Sempre digo aos meus clientes que não posso fazer igual a outro que já fiz, tem que ser algo inspirado no proprietário e na região, tem que ser único", expressou o construtor, que agora planeja uma série de casas inspiradas em super-heróis. EFE