Scholz reafirma apoio a gasoduto ibérico

A ameaça de um corte total no fornecimento de gás russo à Europa colocou a energia no topo da agenda dos 27. Neste contexto, o governo espanhol viu uma oportunidade de se tornar um eixo fundamental na política energética do continente.

O país tem uma capacidade de armazenamento de gás natural liquefeito de 35% do total da União Europeia (UE) e do Reino Unido em conjunto. Por outro lado, possui uma extensa rede de gasodutos que lhe permite criar pontos de ligação com vários países, como a Argélia, Marrocos e Portugal para transportar este tipo de gás. Agora, a Espanha quer desenvolver a ligação ao nordeste de França, Bélgica, Países Baixos e Alemanha, ou seja, os maiores consumidores de gás da Europa. O governo espanhol pondera reanimar o projeto que liga a rede de gás de França e Espanha através da construção de cerca de 220 quilómetros de gasodutos. Os especialistas alertam para os riscos de avançar com este projeto sem o acordo prévio da UE.

Ao lado de Espanha, Portugal também se assume como um ponto-chave na distribuição de gás na Europa e Lisboa tem para já um aliado de peso. Esta sexta-feira, na antecipação da visita de Pedro Sánchez, à Alemanha, o Governo alemão sublinhou o interesse na interligação de Espanha e Portugal à rede energética europeia.

A posição de Olaf Sholz foi conhecida há cerca de duas semanas, quando apelou à construção da infraestrutura para reduzir a dependência de gás russo. Na resposta, o primeiro-ministro português garantiu que "a Alemanha pode contar 100% com o empenho de Portugal" para a construção do gasoduto.