Se é natural não faz mal? Saiba mais sobre a fitoterapia, um dos tratamentos preferidos dos brasileiros

Após apresentar um quadro severo de alergia a medicamentos, há nove anos, Jennifer Lemos conheceu a fitoterapia, por recomendação de uma médica alergista. Ela se encantou tanto com os benefícios da terapia que se formou em aromaterapia, um ramo da fitoterapia, e atualmente, aos 24 anos, atende em uma clínica em Ipanema. Os procedimentos estão no topo da lista dos tratamentos naturais feitos pelos brasileiros no primeiro ano da pandemia. Uma pesquisa da Fiocruz apontou que mais da metade da população brasileira (61,7%) recorreu a uma Prática Integrativa Complementar (PIC) em 2020, e a principal escolha foi o uso de plantas medicinais e fitoterápicos, com 28%. Apesar de fazer parte da fitoterapia, a aromaterapia aparece em quarto lugar, com 16,4%. Em segundo e terceiro, respectivamente, vêm meditação (28%) e reiki (21,6%).

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Enquanto as plantas medicinais são alternativas in natura, os fitoterápicos são a sua versão industrializada. O processo ajuda a evitar contaminações e padroniza o modo como devem ser comercializados e consumidos, já que devem ser regularizados pela Anvisa, além de favorecer o uso com maior segurança. Já a aromaterapia é a extração dos óleos essenciais das plantas, também industrializada e regulamentada pela Anvisa.

Jennifer explica que, na época do quadro alérgico, ficou com inchaço e coceira em várias partes do corpo, o que a fez procurar uma emergência. Em seguida, ela descobriu que tinha alergia a medicamentos como dipirona.

— Eu costumava usar muito remédio para dor de cabeça, cólica ou qualquer sintoma que sentia. Quando a alergista me recomendou a fitoterapia, eu pensei: “Como vou me cuidar só com plantas?”. Um pensamento que em pouco tempo deixou de fazer sentido, pois desde o início o tratamento natural sempre funcionou muito bem comigo — conta Jennifer, acrescentando que faz uso de remédios alopáticos mas dá preferência aos naturais, todos com indicação de profissionais capacitados.

Segundo o médico Paulo Benício, clínico geral do Hospital Adventista Silvestre, um único fitoterápico pode oferecer diversos benefícios para o organismo, como é o caso da erva-mate, rica em substâncias termogênicas, antioxidantes e diuréticas.

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— As plantas medicinais e os fitoterápicos oferecem um grande complexo de substâncias que são capazes de desempenhar diversas funções no organismo. Nenhum medicamento sintético é capaz de fornecer tantos efeitos benéficos ao mesmo tempo — enfatiza o médico, que é pós-graduado em fitoterapia pela Associação Brasileira de Fitoterapia.

O especialista ressalta, porém, que produtos naturais também têm efeitos colaterais e contraindicações e destaca a importância do acompanhamento profissional no uso desses medicamentos.

— Um erro muito comum é acreditar que “se é natural não faz mal”. A fitoterapia é uma forma de terapia farmacológica e pode ter interações medicamentosas como qualquer outra medicação. Isso depende de cada organismo. Por isso, é importante a avaliação e a orientação de um profissional habilitado — pontua o médico.

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Os fitoterápicos podem ser prescritos não só por médicos, mas também por farmacêuticos e nutricionistas. Entretanto, alguns medicamentos naturais são tarjados e devem ser prescritos exclusivamente por médicos. Por isso, Benício lembra que é importante ter orientação e evitar a compra indiscriminada de fitoterápicos, que são facilmente encontrados em lojas de produtos naturais, por exemplo.

— É preciso saber quem está fornecendo e comercializando esses produtos, já que existe uma série de exigências sanitárias. Profissionais que trabalham com fitoterápicos costumam saber os melhores locais para comprar ou manipular esses produtos — afirma o médico.

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Silmeri Bolognani, farmacêutica homeopata do Bolognani Centro de Saúde e Estética, é especialista e trabalha com fitoterápicos. Ela ressalta que os produtos podem ser usados para prevenir ou curar doenças, sozinhos ou acompanhados de medicamentos alopáticos.

— Varia de acordo com a necessidade e o tipo da doença, e o profissional deverá avaliar caso a caso. Os fitoterápicos costumam ser mais baratos do que a maioria dos remédios alopáticos e agem na causa da doença e não no sintoma; por isso têm efeitos mais duradouros. Também costumam provocar menos efeitos colaterais, por serem naturais, mas, assim como um simples chá de camomila pode fazer mal e viciar, um fitoterápico também pode — afirma.

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