Se Bolsonaro adiar reforma administrativa, mercado continuará com Paulo Guedes

Renato Andrade

Se o governo Jair Bolsonaro resolver, efetivamente, manter na gaveta a proposta que define novas regras para o funcionalismo público, a agenda de reformas sofrerá um baque importante, certo? Não é bem assim.

O apoio dos grandes agentes do mercado financeiro a tudo o que é proposto e defendido pelo ministro Paulo Guedes é elemento-chave na redução de danos que o engavetamento da reforma provocaria sobre as expectativas em relação ao desempenho futuro da economia brasileira.

O espírito de torcida que predomina nas principais mesas do circuito Faria Lima acabará prevalecendo e fará com que esses mesmos operadores comprem a ideia que começa a ser vendida pelo Planalto: a proposta de reforma administrativa não seguirá neste momento para o Congresso por conta da proximidade das eleições municipais, e não porque o próprio chefe da equipe econômica criou enorme obstáculo à tramitação de sua proposta ao classificar, de maneira indistinta, os servidores públicos como parasitas.

Em outros tempos (outros governos, outros ministros), a simples ideia de testar a audiência sobre o adiamento do envio de um item considerado fundamental para o reequilíbrio das contas públicas e retomada do caminho efetivo do crescimento sustentado já teria jogado por terra a Bolsa de Valores.

No início da tarde desta quarta-feira, sem direção clara sobre o futuro da reforma administrativa — a mais desejada por Guedes —, o principal indicador do mercado de ações brasileiro registrava mais um dia tranquilo de ganhos na praça.