Se governo Lula apoiar reeleição de Lira na Câmara, pode acontecer 'contrapartida', diz presidente do PP

O presidente do PP, Claudio Cajado (BA), diz que um eventual apoio do PT à reeleição de Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara dos Deputados no ano que vem pode levar a uma “contrapartida” para que o partido integre a base do governo eleito de Lula.

— Tem que ver se o PP vai ser base de governo ou não — diz o deputado baiano ao GLOBO. — Não estamos conversando, até porque não surgiu nenhum convite para conversar. Às vezes o partido não integra a base, mas tem membros que passam a apoiar o governo.

PEC da Transição: equipe de Lula estuda crédito extraordinário para Bolsa Família de R$ 600

Cargo no PL: Bolsonaro pode receber R$ 42 mil com aposentadorias fora da Presidência

— Não surgiu nenhum convite. É possível que venha a ocorrer (convite) em função da presidência da Câmara. Se o governo passa a apoiar o nome do deputado Arthur Lira, obviamente que pode acontecer uma contrapartida, não é verdade?

Ele diz ainda que o partido aceita “ajustar” as emendas de relator no ano que vem. O PT apresentou ao Congresso o plano de uma “PEC de Transição” para acomodar o Auxílio de R$ 600 e programas sociais, mas está negociando se manterá o orçamento secreto, como ficaram conhecidas as emendas que atendem parlamentares da base de forma desigual.

— Essa questão de emenda de relator, vamos ter que fazer um ajuste, tendo em vista principalmente o que o novo governo pensa. Lula sempre foi contra, mas eu já ouço dizer que vai haver uma negociação — afirmou.

Cajado defende que o governo deverá se posicionar agora de forma mais clara sobre quais políticas públicas enxerga como prioritário encaixar no Orçamento, como isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, aumento do salário mínimo ou aumento para servidores, assim como sobre a questão das emendas de relator, que foram criticadas por Lula na campanha.

— O governo precisa se pronunciar sobre se deseja ou não manter a emenda de relator como RP9 (modalidade em que a indicação é do Congresso), porque ela sempre foi importante para fazer ajustes no fim do ano, mas ela passou a atender a tudo, a todas as demandas.

Nesta quinta-feira, o líder do governo Bolsonaro na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR), disse que as conversas com o partido estão acontecendo, mas que o eleitor precisa de um tempo para “distensionar” e aceitar que os deputados colaborem com a governabilidade.

— O problema é que o nosso eleitor não quer conversar, e deputado não anda dissociado de sua base. Então vai precisar um tempo de distensão, não acho que isso vai se revolver agora. Tem gente trabalhando para poder construir um caminho — afirmou.