'Se nada for feito, produção de alimentos entrará em colapso', prevê professor neozelandês

Luiza Belloni

Nosso sistema alimentar ― desde a produção, exploração de recursos, transporte, venda e consumo ― está no vermelho com o planeta. E não estamos nos dando conta disso. 

Esta é a principal mensagem do cientista neozelandês Boyd Swinburn. Ele é professor de Nutrição Populacional e Saúde Global da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, e referência mundial em pesquisas sobre obesidade populacional. 

Swinburn visitou o Brasil nesta última semana a convite do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) para divulgar seu relatório A Sindemia Global da Obesidade, Desnutrição e Mudanças Climáticas. O estudo, disponível em português, foi publicado originalmente no início deste ano pela renomada revista científica The Lancet.

Em entrevista exclusiva ao HuffPost Brasil, o professor explicou como as três epidemias ― obesidade, desnutrição e aquecimento global ― estão interligadas, apesar de não parecerem.

O relatório revela também previsões preocupantes: se nada for feito, o mundo sentirá de forma consistente os efeitos devastadores das mudanças climáticas. Eles recairão sobre a saúde humana, com problemas relacionados à insegurança alimentar e desnutrição. 

Para o professor e demais coautores do relatório, a falta de regulamentação em produtos junk food, fast food e outros alimentos ultraprocessados e açucarados está aumentando ainda mais a obesidade no mundo, e consequentemente, deteriorando a saúde de milhões de pessoas.

Esse cenário, alegam os pesquisadores, mostra como o atual sistema alimentar global é falho ― e precisa ser repensado. “Esses complexos sistemas que temos hoje de alimentação, de transportes e desmatamento estão levando ao colapso do ambiente e incitando enormes problemas de saúde”, disse Swinburn ao HuffPost na última quinta-feira (15).

A obesidade disparou globalmente nas últimas quatro décadas, com um aumento de oito vezes entre meninas e de dez vezes nos meninos. Entre...

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