‘Se o nosso casamento sobreviveu a isso, vamos passar por qualquer coisa’, diz Joana Jabace, diretora da série de Bruno Mazzeo

Isabella Cardoso
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Com o isolamento social por conta da Covid-19 prevalecendo há quatro meses, o termo “novo normal” se popularizou. Tem quem use, quem discorde... “Diário de um confinado” vem justamente retratando o que pode ser considerada a realidade de quem aderiu à quarentena. Bruno Mazzeo interpreta Murilo, um solteirão que enfrenta os dias em casa sozinho. A série de humor, que vai ao ar na Globo todos os sábados, agradou aos telespectadores, que já se viram em situações parecidas com as do personagem. Além da obra completa, o Globoplay anunciou esta semana o making of com os bastidores da produção. Mazzeo e a diretora Joana Jabace, que também é sua mulher, contam que tinham uma urgência em falar nos episódios sobre o que todos estamos vivendo no dia a dia e que, daqui a pouco (tomara!), não existirá mais.

— A maior preocupação não foi o acabamento artístico, mas a vontade de colocar logo no ar algo que falasse do que a gente está passando — destaca a diretora da série disponível também no Multishow e distribuído em pílulas ao longo da programação do GNT neste mês.

O ator completa:

— Foi uma novidade abrupta para todos nós. Se falássemos de isolamento, há dois anos, seria uma distopia!

O casal gravou as crônicas no apartamento onde mora com os filhos gêmeos, José e Francisco, de 3 anos, com todo o cuidado exigido pelas normas de segurança. Mazzeo, porém, não atua sozinho. Arlete Salles, Debora Bloch, Fernanda Torres, Lázaro Ramos, Lúcio Mauro Filho e Renata Sorrah são alguns dos grandes nomes que dão um toque a mais na produção, virtualmente.

— Como já havia a questão da distância, precisávamos de pessoas com quem já tivéssemos o mínimo de intimidade. Todas elas toparam de imediato porque sentiam o desejo de fazer algo neste momento. A maioria nem leu o texto antes de aceitar, talvez até se arrependeu depois, mas não dava mais para voltar atrás — brinca Mazzeo.

Mãe de Murilo na obra, Sorrah conta que quando recebeu o convite pensou que seria “uma coisa dificílima”.

— Mas ficou muito bom, e a insegurança inicial passou! — confessa a atriz.

Se as participações não poderiam desistir, menos ainda o casal da vida real. Mazzeo e Joana afirmam que, assim como Murilo, também enfrentaram suas questões durante a quarentena.

— Todo dia eu tinha vontade de falar: “Não vai dar”. O trabalho de direção é presencial, de muitas horas, mas em algum momento o set termina, e você vai viver outra coisa. Nesse projeto, isso não acontecia. Era tudo no nosso lar. Nós dois, marido e mulher, trabalhando juntos, dentro de casa e sem poder sair dela. Mas se o nosso casamento sobreviveu a isso, vamos conseguir passar por qualquer coisa — diverte-se Joana, também diretora da série “Segunda chamada”.

Além do fortalecimento da parceria, o casal reafirma a importância de conseguir produzir um conteúdo inédito na pandemia.

— A dramaturgia vai sofrer adaptações. As produções, por necessidade, serão um pouco menores, mais íntimas. Este projeto foi uma prova de que vamos nos reinventar — afirma Mazzeo.

Joana apoia o marido:

— A série nos mostrou que é possível colocar um conteúdo no ar durante a quarentena, e isso tem uma força... É a mensagem subliminar: o show não vai parar, a cortina não vai fechar.

Detalhes sobre a série

Um mês e meio

Foi o intervalo do momento em que a ideia da produção foi apresentada à Globo até o anúncio de que iria ao ar. Cada episódio foi feito em apenas dois dias. “No cinema, você não trata um roteiro nesse tempo, quanto mais produzir e realizar”, explica a diretora.

O elenco

Apenas dois atores convidados gravaram presencialmente. Debora Bloch, que mora no mesmo prédio, foi filmada no hall. Já Matheus Nachtergaele, que é vizinho de edifício, aparece caminhando com o cachorro na rua. O câmera morou com o casal durante as filmagens.

Cenografia e figurino

O apartamento do casal recebeu 230 itens para compor o cenário principal. Os outros atores também tiveram que ajudar a produção a escolher de onde apareceriam em suas casas, e todos tiveram que abrir os seus próprios guarda-roupas para a caracterização dos personagens.