'Se pedir um joelho é carioca, mas se for um italiano é niteroiense', brinca pai de bebê nascido na Ponte

Carioca ou niteroiense? O lugar inusitado onde o pequeno Noah resolveu vir ao mundo, a ponte que liga o Rio a Niterói, deu o que falar nas redes sociais e levantou essa dúvida entre os internautas. No registro consta que o local de nascimento é a Ponte Presidente Costa e Silva, nome oficial da via, e o município, o Rio de Janeiro. Portanto, oficialmente o “bebê da ponte” é carioca. Mas, o pai do garoto, o jornaleiro Sandor Salvaya, de 27 anos, para não perder a piada, resolveu entrar na brincadeira:

— Vamos esperar ele começa a falar. Se pedir um joelho é carioca. Agora, se solicitar um italiano aí é niteroiense — brinca o pai com a forma como o salgado assado e recheado com queijo e presunto é conhecido nas duas cidades.

Brincadeiras à parte, no que depender dos pais, o pequeno Noah vai ser carioca só no papel. A mãe Mayra Lara, de 22 , diz que ela e o marido são gonçalenses criados em Niterói e têm muito carinho pela cidade. Por isso, o filho vai ser tratado como um legítimo “niteroiense raiz”.

— Mesmo sem a gente ensinar vai acabar falando como as pessoas daqui, porque vai conviver com elas. Mas no que depender de mim vou ensinar as gírias e o jeito de falar daqui. Portanto, não tem nada de joelho, vai ser italiano mesmo; em vez de pipa, cafifa; e ele não vai na casa da ou do fulano, mas na casa de fulano como fala um niteroiense raiz— garantiu a mãe.

O parto aconteceu no último dia 20 de julho, em plena travessia da ponte, mas só se tornou público nesta terça-feira após um vídeo do pai comemorando o nascimento ser publicado pela página “Eu sou de Niterói”. "Nasceu dentro do carro, meu irmão", postou o jornaleiro entre emocionado e nervoso. "E o meu menino finalmente chegou! No meio da ponte Rio-Niterói. Deus me mostrou que quem faz os planos é ele", postou a mãe no instagram. Foi o suficiente para em pouco tempo começarem a surgir as brincadeiras:

"Ele é ponte-rio-niteroiense", postou um internauta; "Libera o pedágio para o Noah", sugeriu outro. "Nasceu entre o Rio e Niterói. Não vai comer nem italiano nem joelho! Vai pedir "joelhiano"", posta outro. “Fico imaginando a resenha na família e com amigos no futuro, coé Noah, aonde que tu nasceu? Nasci numa ponte meu cumpadi”, brinca mais um. “O nome é Noé, em português e ele nasceu na ponte, no mar. Cara, mais significativo impossível”, lembra um internauta, numa dos mais de 720 comentários na postagem até a tarde desta quarta-feira, muitas delas com uma espécie de campanha pela gratuidade vitalícia do pedágio para a criança ou seus pais.

A forma como o bebê nasceu causou um rebuliço na família. Os pais, que moram em Itaipu, em Niterói, já tinham uma filha de 2 anos: Sophia. O casal havia planejado chegar na maternidade no começo da manhã, por volta das 7h daquele dia, uma quarta-feira, para que a mãe fosse submetida a um parto induzido, já que estava com 41 semanas de gestação.

O enxovalzinho já estava todo pronto e separado. Também já estava tudo combinado com a avó das crianças e mãe de Sandor, Rosimere Salvaya, de 54 anos, moradora em Itaipuaçu, que serviria de motorista para o casal. Porém, as contrações que surgiram fora de hora fizeram com que os planos tivessem uma reviravolta. A motorista foi convocada no meio da madrugada e o trio teve de sair de casa às pressas.

— Acordei por volta da meia noite já sentindo dores. Às 3h começou a ficar mais intenso com contrações a cada dois minutos. Quando vimos que não dava mais para esperar, o jeito foi ligar para minha sogra, que chegou às 4h45. Como a gente já estava com tudo arrumado, foi só colocar no carro. Na ponte, as dores aumentaram — contou a mãe.

A criança resolveu nascer quando o carro havia acabado de atravessar o vão central. A avó estava ao volante e os pais, no banco de trás. Com a decisão de não parar o veículo, temendo alguma complicação, coube ao jornaleiro ajudar o filho a vir ao mundo. Ele contou que estava tão nervoso que se esqueceu das dores num dos braços, que estava com uma tipoia, por conta de um acidente numa partida de futebol com os amigos na noite anterior.

— Se uma semana antes tivessem me dito que eu teria de fazer um parto, teria de caído duro. Sou meio frouxo, não posso nem ver sangue. Mas na hora não senti nem o braço. Tirei a tipoia e, mesmo com o carro em movimento as coisas foram acontecendo. O neném saindo e ela (a mãe) ajudando. Depois bati nas costas dele (do bebê) duas vezes, para fazê-lo chorar, mas o choro só veio mesmo com um tapa no bumbum — descreveu.

A mãe já chegou no hospital com o bebê no colo, ainda preso pelo cordão umbilical. Uma equipe veio em socorro com uma cadeira de rodas, para prosseguir no atendimento. Por precaução, mãe e filhos ficaram em observação até a última sexta-feira. Mayra explicou que escolheu o hospital no Rio e longe de casa, onde havia já tido a filha, porque antes da primeira gestação foi diagnosticada com Citomegalovírus, da família da toxoplasmose, e temia complicações para o bebê.

O vídeo que foi parar nas redes sociais foi feito quando o carro já tinha saído da ponte e estava entrando no Túnel Marcelo Alencar. Inicialmente, as imagens foram compartilhadas apenas com parentes. Mas, o pequeno Noah, assim como Sophia, já tinha perfil próprio no instagram, com 18 publicações, que mostram imagens da ultrassonografia e de seus primeiros dias de vida. Até o começo da tarde desta quarta-feira, o pequeno internauta já acumulava cerca de 170 seguidores.

A avó, que serviu de motorista, também demorou a se refazer do susto, A mulher disse que não cansa de responder aos curiosos que querem saber como ela conseguiu manter a calma e dirigir até o hospital, com o neto nascendo no banco de trás do carro.

— Liguei o alerta e fui embora. Minha única preocupação era chegar o mais rápido possível e com todos em segurança. Esse episódio serviu para comprovar que o meu coração está bom e que sou uma ótima motorista — disse.

Noah não é a única criança a nascer na Ponte Rio-Niterói, embora não tenha entrado para as estatísticas, já que os pais não recorreram à ajuda dos agentes da Ecoponte. A concessionária que administra a via informou que desde o início da concessão, em 2015, suas equipes registraram quatro ocorrências envolvendo o nascimento de crianças. Uma em 2016, duas em 2018 e outra em 2021. Sobre a campanha dos internautas para garantir gratuidade vitalícia do pedágio ao “bebê da ponte” ou aos seus pais, a empresa não se manifestou.

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