'Se todo mundo fizer teste de coronavírus, é óbvio que vai acabar', diz diretora da Abramed

Ana Letícia Leão

SÃO PAULO - No mundo ideal, todo brasileiro seria testado em caso de qualquer sintoma semelhante ao novo coronavírus. Seja por uma simples tosse, coriza e, principalmente, por uma "febrinha", como dizem as autoridades de saúde. No entanto, em tempos de epidemia no país, o mundo real é bem diferente. "Se todo mundo fizer o teste, vai acabar. É claro que estamos preocupados, existe uma demanda mundial por insumos".

O alerta da diretora executiva da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), empresa que reúne grandes laboratórios privados no país, vem em um momento de escalada de casos da Covid-19. Compartilhe por WhatsApp:Clique aqui e acesse um guia completo sobre o coronavírus

Os 428 registros confirmados da doença tendem a aumentar bastante nos próximos meses. Portanto, segundo a Abramed, o ideal é que se faça uma pré-seleção dos testes que serão realizados para checar se um paciente tem ou não coronavírus. No caso, a avaliação clínica cabe a um médico da emergência que atenda um paciente com sintomas graves. Esse seria um dos caminhos para tentar dar conta de atender toda a demanda prevista.

- As pessoas têm que entender que é para procurar um médico quando realmente precisar procurar um médico. Estamos pedindo à população para não ir ao hospital. O exame precisa estar disponível para quem precisa. Se a gente não usar racionalmente, obviamente ele vai acabar. Estamos gerenciando estoques - ressalta.Leia mais:Além de São Paulo e Rio, Minas e Pernambuco registram transmissão comunitária

Para não sobrecarregar os hospitais, explica Priscila, os testes têm sido realizados apenas diante de um pedido feito por um médico do pronto-socorro. Antes do aumento significativo dos casos no país, alguns laboratórios estavam, inclusive, oferecendo o exame a domicílio, mas o serviço foi cortado por causa da demanda.

- Inicialmente, foi bom até para rastrear o vírus, mas isso já não tem como ser feito mais, pois estamos na fase da transmissão comunitária. O teste domiciliar cai não só por isso, mas também por uma questão de estoque - explica.

Apesar do alerta sobre gerenciar estoques para testes de coronavírus no Brasil, a diretora esclarece que ainda não faltam insumos para a realização dos exames.

- Não há falta de estoque para os que realmente precisam realizar o exame para o Covid-19. Hoje conseguimos atender, mas se tiver prescrição indiscriminada, não vamos conseguir.

A Abramed não soube dizer o número fechado, mas no início da epidemia no Brasil eram realizadas dezenas de exames por dia. Hoje, explica Priscila, já são milhares ao dia.

- São Paulo e Rio de Janeiro fazem muitos exames, mas sabemos que a demanda no país vai crescer como um todo.

Quando procurar um médico?

No cenário de escalada dos casos, a recomendação das autoridades de saúde para procurar um médico é quando sintomas como febre, tosse seca e dificuldade para respirar forem bem claros e intensos.

Do contrário, o ideal é tratar o que estiver sentindo como se fosse uma gripe comum e permanecer em isolamento domiciliar.