Sebos de Niterói enfrentam crise e apostam na volta às aulas presenciais nas universidades para reagir

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NITERÓI — Tradicionais polos da vida cultural da cidade, as pequenas livrarias e os sebos niteroienses estão enfrentando um cenário de forte crise, a reboque do impacto gerado pelo fechamento do comércio durante a pandemia provocada pela Covid-19.

A estimativa é que o setor tenha perdido cerca de 60% da movimentação em comparação ao período pré-pandêmico. Isso é o que afirmam Adroaldo Garani e Carlos Mônaco, que estão no ramo há mais de 50 anos.

De portas fechadas, estudantes, professores e pesquisadores das universidades, que eram o grande público desses locais, causaram um efeito dominó de prejuízo para os livreiros. De março a agosto de 2020, eles ficaram totalmente fechados.

Localizada na Rua José Clemente, no Centro, a livraria sebo Panorama abriu as portas em 1970 e começou com uma pequena banca, nos arredores da Universidade Federal Fluminense (UFF). Desde então, Garani esteve à frente do negócio e lembra ter enfrentado momentos difíceis durante esses anos, mas nada parecido com a pandemia que, literalmente, paralisou o movimento nas ruas mundo afora.

— O que me salvou foi a venda on-line. Já estávamos nesse ambiente desde 2008. Mas é a circulação das pessoas que movimenta nosso setor, porque basicamente nosso acervo é de livros universitários. Além dos livros novos, temos uma grande procura por livros usados e raros. E o público desse segmento não costuma fazer compras virtuais. Com as universidades paradas, as pesquisas e os encontros que ocorriam aqui rotineiramente não existem mais. E quando houve a permissão da prefeitura para reabrirmos o comércio, além das ruas vazias, tinha o horário de restrição — relata.

Quem passava em frente ao número 222 da Rua Visconde de Itaboraí, próximo à rodoviária, no Centro, estava certo de que encontraria o sempre simpático Carlos Mônaco para conversas sobre literatura ou para ouvir histórias das grandes figuras de Niterói. Fundada em 1935 pelo italiano Silvestre Mônaco, “o único alfarrabista de Niterói”, como se autointitulava na época, a Livraria Ideal é uma das principais referências em livros acadêmicos e viu uma geração de intelectuais formados tendo o local como fonte bibliográfica certa. Acostumado desde criança a esse ambiente, seu Mônaco assumiu a condução da livraria mais famosa de Niterói.

— No Rio, várias livrarias fecharam de vez. A pandemia está afetando todos. Obviamente sentimos uma queda considerável nas compras e vendas. Aqui, por exemplo, havia pelo menos um evento de lançamento de livro por semana. Muitos professores usavam o local como fonte de pesquisa. E isso trazia todo um fluxo — destaca o livreiro.

Mesmo com o duro cenário, os livreiros de Niterói estão na contramão dos fechamentos que acontecem na capital fluminense desde 2018, quando a rede de livrarias Cultura, com sede em São Paulo, encerrou as atividades de diversas filiais. Afinal, eles continuam abertos e esperançosos, principalmente agora, com a expectativa de a UFF retomar as atividades presenciais.

A universidade conta com cerca de 60 mil alunos matriculados na graduação e no programa da pós. Recentemente, a instituição afirmou que está em fase de planejamento de retorno presencial. Foi aprovada a obrigatoriedade de apresentar o comprovante de vacinação contra a Coivid-19 para a permanência nas dependências da universidade.

A Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe) da UFF já havia divulgado nota para regulamentar o retorno de atividades no formato híbrido na rotina dos servidores, o que passou a ocorrer a partir de 1º de outubro de 2021.

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