Seca e geada impedem que safra de 2021 seja recorde

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RIO - A escassez de chuvas e as geadas dos últimos meses estão afetando as perspectivas para mais uma safra de grãos recorde no país. Dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE, mostram que a estimativa da safra de 2021 foi reduzida pelo quinto mês consecutivo para 251,7 milhões de toneladas, 1% abaixo do desempenho do ano passado.

Se a projeção se confirmar, a queda na produção de grãos será a primeira desde a safra de 2018. O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos do grupo, representando 92,4% da estimativa da produção e 87,6% da área a ser colhida.

Carlos Barradas, gerente da pesquisa, explica que o ano agrícola começa, em geral, em setembro do ano anterior quando se inicia o plantio. No entanto, para plantar, o produtor precisa de que haja umidade no solo e, como houve falta de chuvas nesse período de 2020, esse plantio foi iniciado apenas na segunda quinzena de outubro.

— Isso acabou prejudicando o milho 2ª safra, plantado após a colheita da soja, que teve sua “janela de plantio” reduzida, deixando as lavouras mais dependentes do clima. Como as chuvas não se confirmaram, houve drástica redução no rendimento médio, e consequentemente na produção.

A produção do milho teve sua estimativa reduzida em 4,7% ante julho, totalizando 87,3 milhões de toneladas. Em relação a 2020, a safra deve ser 15,5% menor, embora haja aumentos de 6,8% na área plantada e de 6,2% na área a ser colhida.

De acordo com o IBGE, alguns estados como Paraná e do Mato Grosso do Sul, sofreram também com a ocorrência de geadas no final de julho, o que reduziu a produtividade.

Impacto nos preços

Para economista, o resultado de uma safra menor será também a menor oferta de produtos para os consumidores, o que pressiona preços para cima.

Conforme o resultado divulgado nesta quinta-feira também pelo IBGE, a inflação registrou a maior alta para agosto desde 2000, pressionada principalmente por combustíveis e alimentos.

O grupo alimentação e bebidas teve a segunda maior alta (+1,39%) do indicador, com impacto da escassez de chuvas no país reduzindo a irrigação das plantações.

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