Secas, incêndios e inundações: os desastres naturais que devastam a Califórnia

Jason e Shannon Phleger haviam acabado de reconstruir sua casa assolada por um incêndio florestal, quando uma das fortes tempestades que atingiram a Califórnia na semana passada destruiu todo o progresso que tiveram.

Até mesmo para um estado habituado a sofrer secas severas, a recente onda de desastres naturais parece ser demais para suportar.

"Quando ouvi as notícias, meu coração partiu, foi angustiante", disse Shannon sobre o momento em que soube que os ventos fortes derrubaram uma árvore sobre sua casa.

As chuvas que assolam a Califórnia há semanas contam com nove sistemas de tempestades procedentes do Oceano Pacífico, em rápida progressão. Como consequência, inundações e deslizamentos de terras já deixaram ao menos 20 mortos e centenas de milhares de casas sem eletricidade.

Boulder Creek, uma pequena comunidade montanhosa ao norte de Santa Cruz, escapou do pior das enchentes, mas ventos fortes derrubaram as árvores já enfraquecidas pelos incêndios florestais de 2020.

Uma dessas atingiu a casa reconstruída dos Phleger.

"Acho que foi um resultado direto da mudança climática", disse Shannon à AFP, fazendo um balanço da devastação.

A queima indiscriminada de combustíveis fósseis ao longo dos séculos está deixando o país mais quente e transformando os padrões climáticos.

Dessa forma, as tempestades estão mais extremas. Do mesmo modo, as ondas de calor estão mais quentes e prolongadas, o que cria condições para a reincidência de incêndios florestais.

- Consequências de um incêndio -

Em agosto de 2020, após três anos de secas e temperaturas escaldantes, um raio provocou um incêndio de grandes proporções nas montanhas de Santa Cruz. Durante um mês, foram queimados 35 mil hectares, e 1.500 casas e instalações, destruídas, incluindo a casa da família Phleger.

"Nossa luta, de certa forma, representa o que a Califórnia e a Costa Oeste verão no futuro", disse Jason Phleger.

Um pouco mais acima, na encosta da montanha, Whitney Wilde escapou por pouco do desastre.

Na noite de Ano Novo, uma correnteza de lama e pedras, que arrastou uma caminhonete e até um tanque de propano, passou a poucos metros de sua casa móvel.

"O deslizamento de terra aconteceu por causa do incêndio. O mato que segurava a terra desapareceu", contou ela à AFP.

Entre o incêndio florestal de 2020 e as tempestades de janeiro, "a área definitivamente sofreu uma surra", disse o capitão Ian Jones, bombeiro voluntário do local.

- Casa inabitável -

Nas últimas semanas, o corpo de bombeiros de seu distrito não parou de receber chamadas de emergência, mas, segundo Jones, "surpreendentemente" ninguém ficou ferido.

Mesmo após dois anos de recuperação, o incêndio ainda gera impacto nas atuais tempestades.

Nathalie Dervaux viu sua casa ser inundada até o segundo andar, após o rio St. Lawrence transbordar três vezes em duas semanas.

"Árvores inteiras caíram no rio, além de todos os destroços criados pelo incêndio há dois anos, que foram arrastados", contou.

Mesmo tendo sua casa considerada inabitável, a mulher de 49 anos não parece querer desistir de seu espaço na montanha.

"O aquecimento global definitivamente não está ajudando, mas eu ainda amo esta área", completou.

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