Secom investiu R$ 19 milhões em campanha de “cuidados precoces” e R$ 1,2 milhão com incentivo a vacinação

·2 minuto de leitura
Brazilian President Jair Bolsobaro poses with Ze Gotinha, symbol of Brazilian vaccination campaigns during the launch of the  national vaccination plan against the novel coronavirus Covid-19 at Planalto Palace in Brasilia, on December 16, 2020. - The government has not released a date for the start of the vaccination but commits to start the process 5 days after the approval of a vaccine by the health agency (ANVISA) and expects to take 12 to 16 months to vaccinate the entire Brazilian population. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Secom investiu mais na divulgação dos "cuidados precoces" do que na campanha de vacinação contra a covid-19 (Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)
  • Secretaria de Comunicação investiu R$ 19,3 milhões em campanhas de "cuidados precoces"

  • Com campanhas de vacinação contra a covid-19, a Secom gastou R$ 1,2 milhão

  • No valor não estão incluídas as campanhas feitas pelo Ministério da Saúde com recursos próprios

Os valores gastos pela Secom, Secretaria de Comunicação da Presidência da República, com campanhas a favor do tratamento precoce são quase dez vezes maiores do que o investimento em campanhas de vacinação. As informações foram enviadas à CPI da Covid e divulgadas pelo Uol.

Até outubro de 2020, a Secom autorizou R$ 19,3 milhões em ações voltadas aos “cuidados precoces” contra a covid-19. As campanhas foram divulgadas no segundo semestre de 2020 e no começo de 2021.

É cientificamente comprovado que não há cuidados para prevenir a contaminação pelo coronavírus, a não ser o isolamento social e o uso de máscaras. Não há medicamentos que impeçam que alguém pegue a covid-19.

Leia também

Até março de 2021, as campanhas voltadas para a vacinação somam valores bem menores: R$ 1,2 milhão. Neste montante não estão incluídos os investimentos feitos pelo próprio Ministério da Saúde, com recursos próprios.

Ao Uol, o Ministério da Saúde não divulgou qual valor foi usado para divulgar o PNI (Plano Nacional de Imunização). A pasta afirmou que fez 25 campanhas publicitárias “com os mais diversos temas” desde março de 2020. Estariam incluídos nos temas tratados: orientações sobre sintomas de doença, transmissão, recomendação para “grupos mais vulneráveis”, medidas preventivas e reforço da importância da vacinação. Os valores utilizados para toda a divulgação somam R$ 316,2 milhões.

O portal pediu esclarecimento à Secom, que não respondeu.

Contratação de influenciadores 

Em depoimento na CPI da Covid no Senado, o ex-secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, confirmou que pagou influenciadores para fazerem campanhas a favor do chamado "tratamento precoce".

O "tratamento precoce", amplamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), seria o uso de medicamento sem comprovação científica para prevenir a covid-19. Atualmente, sabe-se que não há qualquer medicamento capaz de prevenir a infecção pelo coronavírus.

Renan Calheiros citou a reportagem da Agência Pública, que divulgou que a Secretaria de Comunicação gastou R$ 23 mil reais com os influenciadores:

  • Flavia Viana - R$ 11.500

  • João Zoli - R$ 6 mil

  • Jéssika Taynara - R$ 3 mil

  • Pam Puertas - R$ 2.500

Wajngarten confirmou a informação. "Se não me engano, o total dos caches dos influenciadores deu R$ 23 mil. E por que naquele momento a agência sugeriu que usasse os influenciadores? Porque eles têm muitos seguidores e isso daria mais credibilidade", justificou.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos