Secretária de Saúde do Rio usa remédio polêmico em tratamento contra coronavírus

Vera Araújo
A secretária Beatriz Busch, que foi contaminada pelo coronavírus

RIO - Após passar sete dias internada num hospital privado com Covid-19, a secretária municipal de Saúde do Rio, Beatriz Busch, voltou domingo para casa, onde está em isolamento com o marido e as filhas. Segundo ela, um dos recursos adotados em seu tratamento foi o uso da polêmica hidroxicloroquina, um medicamento que vem sendo prescrito para combater a Covid-19, mas que ainda não tem sua eficácia comprovada por estudos.

Tanto a cloroquina quanto a sua variação, a hidroxicloroquina, foram liberadas pelo Ministério da Saúde, a critério médico, apesar de não terem sido indicados para o tratamento da Covid-19 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz, ressalta que esse medicamento é recomendado para pacientes com doença autoimune e malária. Muitos tiveram dificuldades de encontrar o remédio depois que ele passou a ser usado no tratamento da doença causada pelo coronavírus.

— Eu não prescrevo a hidroxicloroquina. É um medicamento que nem atrapalha nem ajuda, desde que o paciente não tenho problemas cardíacos. Quando tivermos estudo clínico da Fiocruz, poderemos dar uma informação científica — disse a especialista.

O Hospital Barra D’Or, onde a secretária ficou internada, informou que está usando o medicamento “por decisão do médico e do paciente ou de sua família”.

A secretaria disse que pretende levar a experiência que teve com a doença no hospital particular para o Hospital Municipal Ronaldo Gazzola, em Acari, unidade de referência do município.

— O tempo todo anotei o que me fazia sentir melhor pensando em usar na rotina do Hospital de Acari, nossa unidade dedicada à Covid — contou a secretária. — Usaram em mim todos os recursos sobre os quais havia lido em artigos recentes, inclusive a hidroxicloroquina.

A secretária de Saúde saiu do hospital ainda mais convicta da importância do isolamento social:

— Neste momento, o importante é a união de todos, com a população fazendo a sua parte e ficando em casa até isso tudo passar.

Segundo ela, nenhum sistema de saúde é capaz de cuidar de todos os doentes ao mesmo tempo numa pandemia nova, como a Covid-19. A secretária ainda vai ficar 14 dias em casa por causa da pneumonia. Ela está isolada das filhas e do marido. Sobre a internação, Beatriz Busch disse que foram dias difíceis:

— Isolamento total do mundo exterior. Só médicos e profissionais de saúde entravam rapidamente no quarto. Eles tinham muito medo também. Medo de se contaminar, medo de não ter boas notícias para dar. Foram muito humanos, principalmente, nos três primeiros dias durante os quais meus resultados de exames pioravam. No quinto dia, ela disse que seus exames melhoram e saiu do CTI.