Secretário da PM diz que inquérito foi aberto para apurar o envolvimento de policiais na morte de pintor na Pedreira

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O coronel Luiz Henrique Marinho Pires, secretário de Polícia Militar do Rio, lamentou a morte do pintor Fabrício Alves de Souza, de 26 anos, vítima de bala perdida nesta terça-feira (21), no Complexo da Pedreira, e anunciou que um inquérito militar já foi instaurado. De acordo com ele, a investigação tenta descobrir se partiram das armas dos policiais envolvidos na ação, os disparos que mataram Fabrício.

De acordo com a própria PM, o pintor não era considerado suspeito. Ele foi baleado quando saía para trabalhar e chegou a ser socorrido para a UPA do bairro, mas já chegou sem vida à unidade. O pintor deixa mulher e duas filhas pequenas. Após a morte, moradores do Complexo da Pedreira protestaram e fecharam algumas ruas, ateando fogo a objetos, mas a manifestação foi rapidamente dispersada.

- Imediatamente após o conhecimento dos fatos, acionamos a corregedoria da PM e instauramos o inquérito policial militar que vai apurar este caso. Nossas operações nunca buscam esse resultado (a morte), que foi fruto de um confronto. Todos os órgãos estavam comunicados, cumprimos os protocolos, mas episódios como esse infelizmente acontecem - disse o secretário.

De acordo com a PM, a corporação chegou no início da manhã à Pedreira “com o objetivo de desarticular ações criminosas ligadas ao tráfico de drogas, roubo de veículos e de cargas identificadas pelo setor de inteligência”. Agentes do Batalhão de Irajá, do Comando de Operações Especiais (COE), do Batalhão de Ações com Cães (BAC) e do Grupamento Aeromóvel (GAM) participaram da ação.

Área é recordista em mortes pela polícia

A área do 41º BPM (Irajá), onde fica o Complexo da Pedreira, é recordista de mortes em confronto com forças de segurança na cidade do Rio. Foram 88 casos do gênero entre janeiro e novembro deste ano, segundo dados do Instituto Segurança Pública (ISP) divulgados no mesmo dia, o equivalente a dois homicídios decorrentes de intervenção policial por semana, em média.

Apenas dois entre os 39 batalhões de todo o estado registraram mais ocorrências deste tipo este ano: o 15º BPM (Duque de Caxias), com 107 mortes, e o 7º BPM (São Gonçalo), com quase o dobro de casos do segundo colocado (202).

Os índices nessas regiões ajudam a explicar a tendência de alta nas mortes em confronto no Rio: embora novembro tenha, isoladamente, registrado apenas um caso a mais do que o mesmo mês do ano passado (82 contra 81), o acumulado de 2021 indica um salto de 11,8%, passando de 1.161 homicídios decorrentes de intervenção policial, nos 11 primeiros meses do último ano, para os 1.298 atuais.

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