Secretário da PM pede a Moro máscaras e luvas para a tropa

Rafael Soares
PM usa máscara e luvas durante patrulhamento em Niterói: corporação também precisa de álcool em gel

RIO - Na linha de frente do combate ao coronavírus, os policiais militares do Rio, que fazem bloqueios para restringir a circulação de pessoas e tentam evitar aglomerações no transporte público, estão sem máscaras para se proteger. A situação levou o secretário da corporação, coronel Rogério Figueredo, a pedir ajuda ao ministro Sergio Moro para conseguir, além de 1,5 milhão de máscaras, 3 milhões de luvas e 59 mil frascos de álcool em gel junto à Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. Ele ainda não obteve resposta do governo federal.

O Ministério Público do Rio, por sua vez, entrou na Justiça para obrigar a PM a fornecer equipamentos de proteção aos que patrulham as ruas do estado. Na ação civil pública, que tramita na 7ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio, o MP pede que os itens sejam fornecidos em até uma semana.

Na ação, proposta por promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), também é pedido que todos os integrantes da PM sejam obrigatoriamente testados para o coronavírus. De acordo com os MP, os agentes com testes positivos precisam ser isolados, e medidas de proteção devem ser tomadas para a proteção dos que fazem parte dos grupos de risco. Pesquisa do Serviço de Apoio à Saúde do Policial mostra que, entre 5.460 agentes entrevistados, 21% apresentavam pressão alta, por exemplo.

Falta no mercado

A PM admitiu, em documento enviado ao Gaesp, que o comando da corporação orientou, como “medida paliativa”, que cada batalhão providenciasse a aquisição de máscaras e álcool em gel em “comércios locais”. O comandante de um batalhão na Zona Oeste requisitou ajuda a farmácias da região, na semana passada, e conseguiu algumas máscaras para sua tropa.

A PM deu início, no último dia 17, a procedimentos de contratação emergencial para adquirir 100 mil frascos de álcool em gel 70% e 900 mil máscaras descartáveis. Segundo a corporação informou ao MP, os valores para a compra do álcool já estão empenhados. Quanto às mascaras, não há prazo para a chegada: de acordo com a corporação, “o material está em falta no mercado, devido à grande demanda”.