Secretário diz que alta da Covid merece atenção, ao recomendar volta da máscara em SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O aumento no número de pacientes internados com Covid-19 merece atenção e preocupação, na avaliação do secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn. O infectologista diz, porém, que o dado ainda é muito menor que o de ondas anteriores, ao ser questionado pela Folha por que o governo Rodrigo Garcia (PSDB) apenas recomendou aos municípios paulistas a volta do uso de máscaras em ambientes fechados, e não determinou a obrigatoriedade do item.

No fim da tarde desta terça-feira (31), o Comitê de Contingência da Covid-19 do governo paulista recomendou a volta do uso de máscaras em locais fechados em todo o estado diante da tendência de crescimento de casos nas últimas semanas. Mas alertou que, se houver necessidade, a decisão de só recomendar máscaras em ambientes fechados pode ser reavaliada.

Gorinchteyn comparou os atuais índices com os de 2 de fevereiro, quando o estado registrou o maior número de pessoas internadas com Covid-19 neste ano.

De acordo com o secretário, nesta terça, 2.500 pessoas estavam internadas com a doença, sendo que 767 em UTIs (unidades de terapia intensiva). No pico de fevereiro, havia 11.289 internados, sendo que 4.084 em UTIs.

"É um número muito abaixo do que vimos nas outras ondas, especialmente a segunda [março e abril de 2021], com 13.150 pessoas internadas no pico", afirmou Gorinchteyn.

Segundo a coluna de Mônica Bergamo do jornal Folha de S.Paulo, o número de casos notificados de Covid-19 no estado quase dobrou de uma semana para a outra, de acordo com dados oficiais analisados pelo comitê científico. A média diária de novas infecções na semana passada chegou a 4.830, contra 2.622 da semana anterior, num salto de 84,2%.

Na rede municipal de São Paulo, em um mês o número de internados com Covid-19 cresceu 273%, segundo a Secretaria Municipal da Saúde, passando de 56, em 30 de abril, para 209 internações nesta terça. Os casos de pacientes em UTIs saltaram 352%, passando de 27 para 95 hospitalizações em unidades de terapia intensiva.

Nesta segunda, o Brasil registrou a maior média móvel de casos de Covid desde o fim de março, 24.993 infecções por dia, um crescimento de 31% em relação ao dado de duas semanas atrás.

Para reforçar a utilização de máscaras, Gorinchteyn citou a queda na temperatura nos últimos dias, o que, segundo ele, provocou aglomeração de pessoas em ambientes não arejados, como fator para maior transmissão de vírus respiratórios.

"Estamos vivendo períodos de baixas temperaturas, inclusive, com cifras muito menores para o período, antecipado ao inverno", afirmou.

O estado de preocupação que fez o governo recomendar a volta do uso de máscaras deve se estender até o fim do inverno.

O secretário descartou, por enquanto, obrigar o uso de máscara em escolas. Alguns municípios da região metropolitana já tinham feito a recomendação na semana passada. Serra Negra, a 139 km da capital, publicou um decreto no último dia 12 obrigando a volta do item de proteção em todos os colégios, tanto da rede pública quanto privada.

O fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados foi decretado pelo ex-governador João Doria (PSDB) em 17 de março em reação ao arrefecimento da pandemia no estado.

O titular da pasta da Saúde também alertou para o alto número de pessoas que estão com doses da vacina contra o novo coronavírus atrasadas.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, 2,7 milhões de pessoas que deveriam ter tomado a segunda dose não voltaram os postos. Destas, cerca de 1 milhão é de jovens entre 12 e 29 anos. "São as pessoas que mais circulam, por isso a importância da máscara agora", afirmou Gorinchteyn.

Entre os que deveriam receber reforço na vacinação, cerca de 10 milhões não tomaram a terceira dose no estado. E 3 milhões não foram imunizados com a quarta dose.

Segundo o Ministério da Saúde, pessoas a partir de 12 anos podem receber a terceira dose de vacina. Já a quarta é para quem tem acima de 60 anos.

Por enquanto, o governo descarta reforçar campanhas de vacinação contra a Covid-19 e contra a gripe.

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