Secretário de Doria defende demissão do diretor do Inpe

IGOR GIELOW
*ARQUIVO* SÃO JOSE DOS CAMPOS, SP, 01.08.2019: O diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Ricardo Magnus Osório Galvão, em sua sala de trabalho na direção do Inpe, em São José dos Campos. (Foto: Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress)

PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) - O secretário de Agricultura de São Paulo, Gustavo Junqueira, defendeu a demissão do diretor do Inpe, Ricardo Galvão. "Não dá para peitar o presidente. Hierarquia é importante. Ninguém peitaria o [governador paulista] João Doria (PSDB).

A demissão de Galvão foi alvo de polêmica na comunidade acadêmica após o cientista criticar duramente o presidente Jair Bolsonaro (PSL) por ter dito que os dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre desmatamento na Amazônia.

Junqueira, por outro lado, faz críticas pontuais ao governo Bolsonaro. "A postura belicosa do ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) obviamente tem uma implicação comercial", disse, sobre o impacto internacional das declarações do ministro e de Bolsonaro na área.

Mas Junqueira diz que o ministro tem "boas intenções". "Existe um risco, mas é calculado", afirmou. "É necessário."

Junqueira está na China como parte de comitiva de Doria para tentar atrair investimentos em São Paulo.

Ele considera que a nova etapa da guerra comercial entre EUA e China oferece uma oportunidade para investimentos na área da agricultura, dado que Pequim anunciou moratória na compra de alimentos de Washington.

"Tem muito de ameaça. Os chineses estão com estoques de soja, não compram milho", afirmou.

Junqueira diz que a prioridade do estado é vender aos chineses itens de valor agregado no agronegócio, além de commodities como o etanol.

"Parece estranho, mas eles dizem que a aposta no futuro, o carro elétrico, não chegará a 30% da frota de 500 milhões de veículos prevista para rodar no país na próxima década", disse.

Assim, o velho projeto do carro a álcool está sendo vendido como oportunidade aos chineses, 40

Anos depois do Proalcool da ditadura.