Secretário de Estado americano chega ao Egito após visita surpresa a Bagdá

Por Francesco FONTEMAGGI
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (c), e sua mulher são recebidos pelo embaixador americano no Iraque, Douglas Silliman, ao desembarcar no aeroporto de Bagdá, em 9 de janeiro de 2019

O secretário americano de Estado, Mike Pompeo, chegou na noite desta quarta-feira ao Cairo, após uma escala no Iraque para tranquilizar os dirigentes locais sobre o apoio de Washington e sobre o destino das milícias curdas após a retirada das tropas dos EUA da Síria.

Pompeo havia realizado uma visita surpresa a Bagdá, antes de seguir para Erbil, capital do Curdistão iraquiano.

Em 26 de dezembro, o presidente Donald Trump provocou uma onda de críticas no Iraque, ao visitar, inesperadamente, os soldados americanos estacionados nesse país, mas sem passar por Bagdá.

Nesta quarta, Pompeo se reuniu com o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi, com o ministro iraquiano das Relações Exteriores, Mohammed Ali al-Hakim, e com o presidente do Parlamento, Mohammed al-Halbusi.

Também foi recebido pelo presidente Barham Saleh, que considerou que o Iraque "precisa do apoio americano" e manifestou sua "gratidão para com os Estados Unidos por seu apoio há anos", especialmente frente ao grupo Estado Islâmico (EI).

"O EI está derrotado militarmente, mas a missão não terminou", acrescentou.

"É importante fazer tudo o possível para assegurar que as pessoas que lutaram conosco estejam seguras", ressaltou Pompeu, em referência às Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG), principal milícia curda síria e na linha de frente contra o EI.

A Turquia considera as YPG como uma organização "terrorista" e ameaça atacá-las.

O conselheiro de Segurança Nacional americano, John Bolton, que visitou a Turquia na terça, disse que os Estados Unidos vão verificar se o EI foi realmente vencido antes de se retirarem da Síria. Já Pompeo se negou a dar um calendário para cumprir esses passos.

Falando a partir de Erbil, capital do Curdistão iraquiano, Pompeu assegurou que o presidente turco (Recep Tayyip) "Erdogan assumiu compromissos, ele compreende (...) que queremos segurança".

"Vamos alcançar progressos reais nos próximos dias", acrescentou, uma vez que Ancara negou categoricamente na terça-feira ter prometido a Trump a segurança das YPG.

- Entre Washington e Teerã -

Um dos principais assuntos que preocupam é a presença do EI na Síria, país que compartilha com o Iraque centenas de quilômetros de fronteira, desérticos e propícios para a instalação de células extremistas clandestinas.

Embora as autoridades iraquianas tenham anunciado em dezembro de 2017 que tinham terminado três anos de uma guerra letal e devastadora contra o EI, os jihadistas continuam lançando ataques. Na terça-feira, duas pessoas morreram em um ataque com carro-bomba em Tikrit, relataram fontes policiais.

Além de Jordânia e Iraque, Pompeo passará pelo Egito, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Arábia Saudita, Omã e Kuwait, informou o Departamento de Estado.

Em cada uma dessas paradas, Pompeo terá de garantir apoio a seus interlocutores, depois do inesperado anúncio feito por Trump no final de dezembro. Segundo o presidente americano, "os Estados Unidos não podem continuar sendo a polícia do mundo".

No Iraque, porém, Trump garantiu que não pretende retirar as tropas desse país, alegando que o território pode servir de "base" para, eventualmente, "intervir na Síria".

O Iraque ocupa um lugar central no Oriente Médio, uma região em plena recomposição, onde, segundo os especialistas, o Irã começa a vislumbrar a formação de um corredor terrestre que lhe permitiria chegar ao Mediterrâneo através do Iraque, da Síria e do Líbano.

No centro desse eixo que pode servir para o trânsito de bens e pessoas, o Iraque está em uma boa posição para ser mediador com Damasco.