Secretário estadual de Saúde rebate Crivella por alegar sobrecarga de hospitais: 'Entendo que busque justificativas'

Paulo Cappelli
Saúde: servidores de organizações sociais estão sem receber há dois meses

RIO - Secretário estadual de Saúde, Edmar Santos rebateu a alegação do prefeito Marcelo Crivella de que o município enfrenta dificuldades para manter hospitais funcionando porque está com a rede sobrecarregada, uma vez que receberia pacientes que não conseguem atendimento em unidades estaduais e federais. Segundo Santos, é natural que a prefeitura "busque justificativas". Na última quinta-feira (12), o prefeito se recusou chamar o colapso na saúde de "crise" e apresentou pontos que, na sua concepção, ajudam a justificar o atraso no pagamento de servidores de organizações sociais.

— Nunca se internou tanto na cidade do Rio. Mais de 20 mil dessas internações foram de alta complexidade, que eram obrigações de outros entes federados: hospitais federais e estaduais da cidade. Principalmente câncer e doenças cardiovasculares. Mas as pessoas não tiveram acesso lá, naquelas unidades, e vieram para nós. Ainda houve cerca de 20 mil internações nas unidades municipais de outros municipios. Ou seja, quarenta mil internações não eram do nosso governo — afirmou Crivella.

Edmar dos Santos rebateu:

— A alegação (de sobrecarga em atendimentos de alta complexidade) não justifica a paralisação da atenção primária, que não tem a ver com isso. Com relação a atender munícipes de outras cidades, é uma caractreristica do SUS. O SUS é para atuar em rede. Você não monta sua rede para atender só aos municípes de uma cidade. Não tem um muro. Outros municípios também atendem a pacientes do Rio. As alegações não procedem. Entendo as dificuldades e que a prefeitura procure justificativas, mas o melhor é se reunir e buscar caminhos e soluções. Os poderes se ajudarem — disse.