Secretário-geral da ONU pede ação de líderes mundiais contra aquecimento global

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta quarta-feira (14) que os líderes mundiais ajam contra o aquecimento global e "baixem a temperatura" do planeta para não "afogar" o mundo.

"Acabo de voltar do Paquistão, onde olhei pela janela para o futuro, um futuro de caos climático permanente e onipresente em uma escala inimaginável", disse Guterres em coletiva de imprensa dias antes da chegada de dezenas de líderes de todo o mundo para a reunião de alto nível da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

"O que está acontecendo no Paquistão demonstra a insuficiência da resposta global à crise climática e a traição e a injustiça no centro da mesma".

Cerca de 1.400 pessoas morreram nas inundações no Paquistão, que cobrem uma área do tamanho do Reino Unido e devastaram plantios e destruíram casas, rodovias e pontes.

Em sua visita, Guterres disse que "nunca tinha visto uma carnificina climática" nesta escala e culpou os países mais ricos pela devastação.

"Minha mensagem aos líderes mundiais reunidos aqui é clara: baixem a temperatura, agora. Não inundem o mundo hoje, não o afoguem amanhã", disse nesta quarta-feira, denunciando "décadas de intransigência por parte dos grandes emissores", em particular o Grupo dos 20.

"Se um terço dos países do G20 estivessem debaixo d'água hoje, como poderiam estar amanhã, talvez lhes seria mais fácil fazer cortes drásticos nas emissões".

Ele também criticou as grandes empresas de combustíveis fósseis, acusando-as de "matar o planeta" para obter a maior quantidade possível de commodities.

O secretário-geral também lamentou as divisões da comunidade internacional e disse: "as divisões geoestratégicas são as maiores desde pelo menos a Guerra Fria. E estão paralisando a resposta global aos desafios dramáticos que enfrentamos", incluindo a guerra, as mudanças climáticas, a pobreza, a fome e a desigualdade, acrescentou.

"A solidariedade prevista na Carta das Nações Unidas está sendo devorada pelos ácidos do nacionalismo e do interesse próprio", reforçou.

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