Secretário-geral da ONU reitera apelo a que 'elementos estrangeiros' deixem a Líbia

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, continua "profundamente preocupado" de que "elementos estrangeiros" continuem operando na Líbia, indica um relatório que escreveu ao Conselho de Segurança.

O documento, obtido pela AFP e debatido na quarta-feira por membros do Conselho, destaca que alguns mercenários mudaram de posição, mas considera que a ação é insuficiente.

Além disso, indica que as forças estrangeiras saíram do centro e do oeste da cidade costeira de Sirte em 28 de fevereiro para Wadi Harawa, 50 km a oeste, para ajudar a assegurar a cidade e permitir a reabertura do aeroporto Al-Ghardabiya.

Mas, "segundo se informa, não houve uma redução das forças estrangeiras ou de suas atividades no centro da Líbia", disse Guterres em seu relatório.

A Líbia, rica em petróleo, mergulhou no caos depois que o ditador Muamar Kadhafi foi deposto e assassinado em um levante apoiado pela Otan em 2011, o que levou a que múltiplas forças disputassem o poder.

A ONU tinha estimado em dezembro que 20.000 soldados e mercenários estrangeiros estavam ativos na Líbia.

"Reitero meu apelo a todos os atores nacionais, regionais e internacionais a respeitar as disposições do acordo de cessar-fogo a fim de garantir sua plena implementação sem demora. Isso inclui o respeito e o cumprimento total e incondicional do embargo de armas das Nações Unidas", escreveu Guterres.

- "Interferência estrangeira" -

Vários relatórios anteriores da ONU, um dos quais qualificou o embargo de armas como "totalmente ineficaz", destacaram a presença na Líbia de mercenários russos, chadianos, sudaneses e sírios, entre outros, assim como de unidades militares turcas.

"Sua retirada da Líbia contribuirá em grande medida a reconstituir a unidade e a soberania do país e a curar as profundas feridas causadas por muitos anos de lutas internas, conflitos ativos e interferência estrangeira", disse ao Conselho de Segurança o novo enviado para a Líbia, Jan Kubis.

Em seu informe, Guterres detalha sua proposta de uma retirada gradual de uma missão de observação do cessar-fogo e a saída de mercenários e tropas estrangeiras.

No entanto, não especifica o número de observadores, que serão civis desarmados, segundo as partes líbias. Os observadores devem incluir mulheres e jovens, afirmou Kubis.

Inicialmente, esses observadores integrados na Missão da ONU na Líbia (UNSMIL) serão centrados na rodovia costeira e depois estenderão suas atividades antes de uma possível terceira etapa para outros locais.

Vários países, como Reino Unido, México, Quênia, Níger e França, também pediram a saída dos mercenários, inclusive os da empresa de segurança privada russa Wagner, que tem fama de ser próxima de Moscou.

As forças estrangeiras deveriam ter saído no mais tardar três meses depois da conclusão de um acordo de cessar-fogo em 23 de outubro, mas agora passaram "mais de 150 dias", disse o embaixador francês Nicolas de Rivière.

No começo deste mês, o então premier nomeado da Líbia, Abdul Hamid Dbeibah, falando em Sirte, qualificou os mercenários de "facada nas costas" e disse que deviam partir.

"Se cidadãos russos estão presentes na Líbia, não representam o governo russo", disse o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia.

Segundo diplomatas, espera-se que uma resolução do Conselho de Segurança que o Reino Unido está preparando especifique o mecanismo de monitoramento e dê luz verde para sua ativação formal.

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