Deputados adiam projeto de reeleição após Cartes desistir de candidatura

Assunção, 18 abr (EFE).- O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Hugo Velázquez, declarou nesta terça-feira que o corpo legislativo adiou momentaneamente o projeto de reeleição presidencial, após o atual presidente, Horacio Cartes, desistir de se candidatar às eleições de 2018.

Cartes anunciou ontem sua decisão de não se apresentar "em nenhum caso" como candidato, e com isso acalmou a agitação política instalada por conta desse projeto, que pretende através de uma emenda constitucional permitir um segundo mandato presidencial, proibido pela Carta Magna.

O projeto está na Câmara dos Deputados à espera de ser discutido desde que foi aprovado em 31 de março por 25 senadores, o que deu origem a violentos distúrbios e ações policiais nas quais morreu um militante do Partido Liberal, o maior da oposição.

Nesse sentido, Velázquez declarou que os deputados aguardarão pelo menos 20 dias até que a Corte Suprema de Justiça se pronuncie sobre a ação de inconstitucionalidade apresentada pelo presidente do Senado, Roberto Acevedo, e outros senadores.

A ação se refere a um projeto relacionado à polêmica reeleição presidencial, o qual foi aprovado em 28 de março pelos mesmos 25 senadores e que sancionou uma mudança do regulamento interno do Senado.

"Há uma abordagem dos próprios senadores perante a Corte Suprema de Justiça onde se planeja a inconstitucionalidade, e vamos respeitar as instituições, temos que esperar a decisão da Corte", afirmou Velázquez.

Além disso, Velázquez apontou que foi uma "surpresa" a decisão de Cartes de desistir de sua candidatura e ressaltou a "grandeza" do presidente.

Horacio Cartes anunciou que não se apresentará como candidato às eleições gerais de 2018 através de uma carta que entregou ao titular da Conferência Episcopal Paraguaia, Edmundo Valenzuela, e que posteriormente divulgou em sua conta no Twitter.

A Constituição paraguaia estabelece um só mandato de cinco anos para os governantes, sem possibilidade de continuar após seu período à frente do país. EFE