Líder do M5S condiciona formação de governo à ausência de Berlusconi

Roma, 5 abr (EFE).- O líder do Movimento Cinco Estrelas (M5S), Luigi dei Maio, se declarou nesta quinta-feira disposto à formar um governo com o Partido Democrata (PD, centro-esquerda) ou com a direitista Liga, se esta se desvincular do ex-primeiro-ministro e líder da Forza Itália, Silvio Berlusconi.

Dei Maio revelou hoje esta proposta ao presidente da República, Sergio Mattarella, no encontro de meia hora que mantiveram no Palácio do Quirinal (sede da Chefia do Estado italiano), onde realiza uma rodada de consultas para formar Governo após as eleições realizadas na Itália em 4 de março, e nas quais o M5S foi o partido mais votado.

O líder do M5S manifestou que considera como seus interlocutores o PD e a xenófoba Liga, por isso que pedirá "imediatamente" um encontro com seus respectivos líderes, Maurizio Martina e Matteo Salvini.

"Dissemos ao presidente que sentimos toda a responsabilidade de ser a primeira força política do país e de trabalhar o mais rápido possível para assegurar uma maioria a um governo da mudança que olhe ao futuro", explicou em um breve comparecimento perante os veículos de imprensa.

Afirmou sua intenção de elaborar uma série de objetivos com estes dois partidos "alternativos" entre si e disse que elegeriam um parceiro de Governo baseado nas convergências alcançadas durante as negociações.

Dei Maio se dirigiu ao PD para dizer que seu desejo não é provocar uma cisão que o apoie, como sugeriram alguns analistas.

E também se referiu à Liga, o partido mais votado dentro da coalizão de direitas (mais tarde a ganhadora do pleito), já que Dei Maio não reconhece a existência de tal aliança, " porque os partidos que a compõem apresentaram candidatos diferentes e participam da rodada de consultas separadamente".

De fato, disse que alguns partidos da coalizão, em referência ao Forza Itália de Berlusconi, são contrários ao Cinco Estrelas, razão pela qual se dirige só à Liga de Salvini.

Dei Maio não proporá ao PD e à Liga "uma aliança de Governo mas um contrato de Governo ao estilo alemão", ou seja, um plano com o qual "as forças políticas se comprometam com os italianos sobre os pontos que desenvolver".

O objetivo desse novo Governo será dar a solução que "a Itália espera há 30 anos a problemas enormes" como a corrupção, a gestão do fenômeno migratório e o desemprego.

E garantiu que na política exterior, a Itália "seguirá sendo aliada de Ocidente na Aliança Atlântica e na União Europeia e monetária". EFE