Secretário da ONU alerta contra onda de ódio e xenofobia causada por pandemia

Secretário-geral da ONU, António Guterres, em entrevista coletiva na sede central da União Africana, durante cúpula de presidentes do continente, em 8 de fevereiro de 2020 em Adis Abeba, capital da Etiópia

A pandemia de coronavírus está promovendo uma "onda de ódio e xenofobia" ao redor do mundo - disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em nota divulgada nesta sexta-feira (8).

Sem citar países, ou indivíduos, Guterres pediu à comunidade internacional que não poupe esforços para pôr fim a essa escalada.

O discurso de ódio continua "buscando bodes expiatórios e fomentando o medo", denunciou o secretário-geral.

"O sentimento contra o estrangeiro aumentou na Internet e nas ruas. As teorias conspiratórias antissemitas se espalharam, e houve ataques contra muçulmanos em relação à COVID-19", acrescenta ele na nota.

O chefe da ONU também condenou que se tenha "vilipendiado os migrantes e refugiados como fonte do vírus" e que, em consequência, tenha-lhes sido negado o acesso à assistência médica.

Guterres mencionou ainda a difusão de memes "depreciativos", que sugerem que os idosos - entre as populações mais vulneráveis ao vírus - também são os mais prescindíveis.

"Os jornalistas, os denunciantes de irregularidades, os profissionais da saúde, os trabalhadores humanitários e os defensores dos direitos humanos estão sendo atacados pelos simples fato de fazerem seu trabalho", afirmou.

Diante disso, pediu "que não se poupem esforços para erradicar o discurso do ódio em todo mundo".

Guterres lançou às instituições de ensino um chamado à alfabetização digital e pediu aos veículos de comunicação, particularmente às empresas de mídias sociais, "que façam muito mais para apontar e eliminar os conteúdos racistas, misóginos e outros conteúdos preconceituosos".