Secretário relata situação 'lastimável' na Saúde e promete melhorias em balanço do primeiro mês

Pedro Medeiros*
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Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Na manhã desta quinta-feira, o secretário estadual da Saúde, Carlos Alberto Chaves, fez um apanhado dos cerca de 40 dias à frente da pasta e apresentou um cenário que disse nunca ter visto em toda sua carreira. Chaves apontou uma falta total de transparência na secretaria e informou que técnicos vêm fiscalizando contratos de forma ininterrupta. Ele prometeu ainda regular salários e garantir maior integração entre os sistemas de saúde.

— Quando chegamos aqui, a situação da secretaria era fragmentada. Em 46 anos de trabalho, eu nunca vi situação tão lastimável. Como a Saúde é uma Secretaria que recebe muita verba, a devassa com o dinheiro público foi muito grande — disse Chaves, que completou: — as pessoas que se locupletam do dinheiro da saúde são piores e mais nocivas do que o bandido que me assalta na rua, porque as consequências afetam milhões de cidadãos e os acusados estão soltos.

Nomeado pelo governador em exercício Claudio Castro, Chaves é médico pneumologista e já dirigiu o hospital Getúlio Vargas, na Penha, e o Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Neste último, era considerado um chefe "linha-dura".

Durante a entrevista coletiva, listou problemas que encontrou em sua chegada à pasta, como falta total de transparência no órgão, ausência de fiscalização sobre as Organizações Sociais, as OSs, falta de medicação e insumos em programas assistenciais e na Rio Farmes, além de falta de pagamento aos fornecedores e de salários dos funcionários terceirizados.

Segundo Chaves, ele recebe ameaças via mensagem por conta do trabalho de fiscalização na pasta. Ainda assim, disse que faz questão de apresentar pessoalmente na sede Ministério Público Estadual (MPRJ) a documentação que, segundo ele, comprova ações de corrupção de gestões anteriores.

O secretário também informou que usou o dinheiro em caixa para aumentar o número de leitos, consertar equipamentos e prometeu um cronograma para efetuar pagamentos atrasados e contratar novos profissionais.

Ainda durante a entrevista, a subsecretária de Covid-19, Flávia Regina Barbosa, disse que o Rio já passou do pico da pandemia e que há 764 leitos disponíveis, mas que estão bloqueados por falta de profissionais e equipamentos necessários.

*estagiário sob a supervisão de Luciano Garrido