Secretário do Tesouro diz que não faltarão recursos para Saúde, mas não se pode exagerar na 'dose do remédio'

João Sorima Neto

SÃO PAULO - O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, disse neste sábado que não vão faltar recursos para a saúde e para o socorro às pessoas mais vulneráveis durante a pandemia do coronavírus, mas advertiu que não se pode exagerar na 'dose do remédio' sob o risco de comprometer o orçamento do país nos próximos anos. Mansueto afirmou que é importante que as despesas extras sejam de caráter temporário.

- Não pode faltar dinheiro para saúde independente da questão fiscal e também para proteger as pessoas mais vulneráveis. Mas não se pode exagerar na dose do remédio, comprometendo os próximos anos. Haverá uma conta a ser paga - afirmou o secretário durante uma live organizada pelo banco BTG Pactual, que contou ainda com os sócios do banco, o ex-ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e o economista Eduardo Loyo.

O secretário afirmou que é indevida a comparação entre o pacote de socorro brasileiro e de outros países. Nos Estados Unidos, o Congresso aprovou US$ 2 trilhões para ajudar pequenas empresas, cidadãos que ficaram sem renda e para investimentos em Saúde. Segundo ele, o Brasil tem uma rede social muito mais desenvolvida que a americana, por exemplo.

Ele afirmou que independente da economia brasileira ficar estagnada, como mostrou a última estimativa do governo, ou ter retração, o governo segue em frente buscando a consolidação fiscal, embora não seja possível pensar em medidas estruturais "em duas ou três semanas". Mas esse objetivo tem que estar no radar permitindo que o Brasil continue tendo juros baixos por um prazo mais prolongado.

- Independente de economia estagnada ou se o PIB retrair 1%, 2% ou 3% o governo segue em frente e não muda a rota. O que não pode é criar despesas permanentes que afetem a trajetória do gasto em 2021. A previsão de PIB zero é de duas semanas atrás. Essas projeções mudam toda semana e possivelmente o PIB pode vir negativo, já que estamos num cenário muito incerto - afirmou.

Este ano, afirmou o secretário, o déficit primário do país, que era estimado em R$ 124 bilhões, deve saltar para cerca de R$ 300 bilhões com as despesas extras do governo para combater a pandemia do coronavírus. Mansueto disse se chegar a essa cifra, o déficit vai ficar entre 3% e 4% do PIB, a maior alta desde 2015, quando o déficit primário foi equivalente a 2,5% do PIB. O secretário disse que com a retração esperada da economia o país também vai ter perda de receita.