Secretário do Tesouro pede alinhamento e harmonia entre Poderes

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 18.04.2018: Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 18.04.2018: Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, pediu nesta segunda-feira (13) que haja alinhamento e harmonia entre Poderes para que seja possível solucionar problemas como a expansão dos gastos com precatórios --dívidas do governo reconhecidas pela Justiça e sem possibilidade de recurso.

Em videoconferência promovida pela Genial Investimentos, o secretário disse ser importante que o país siga com o "cenário calmo" visto desde o final da última semana.

O período mencionado por Bittencourt é posterior à publicação de uma declaração do presidente Jair Bolsonaro à nação, na qual ele justificou ataques a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal),amenizando o tom em relação a dias anteriores.

De acordo com o secretário, a ampliação do Bolsa Família terá que passar pela revisão das despesas com precatórios. Esses gastos cresceram de R$ 54 bilhões neste ano para R$ 89 bilhões em 2022, inviabilizando planos do governo para a área social e outras ações.

"E importante que haja um alinhamento entre os Poderes porque a discussão de precatórios envolve Executivo, que tem que efetuar o pagamento das sentenças, do Legislativo, que trata dessas regras, e do Judiciário, que tem todo o processo de inscrição desses valores nas mãos. Então, precisa de uma grande concertação entres os Poderes, precisa de harmonia para que esses problemas sejam endereçados", disse.

O secretário não mencionou diretamente o nome do presidente, mas deixou claro que o país precisa manter o ambiente observado nos últimos dias.

"Esses problemas precisam ser endereçados com a harmonia entre os Poderes. Por isso, é muito importante que a gente siga com esse cenário mais calmo que tivemos a partir do final da semana passada", afirmou.

Após ataques consecutivos a ministros do STF e sugestões golpistas, Bolsonaro intensificou o embate ao discursar para manifestantes no feriado de 7 de Setembro. Na ocasião, ele fez ameaça direta ao presidente do Supremo, ministro Luiz Fux. "Ou o chefe desse Poder [Fux] enquadra o seu [ministro] ou esse Poder pode sofrer aquilo que nós não queremos", disse.

Os principais alvos de Bolsonaro são os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

No dia seguinte, porém, o presidente divulgou uma nota para se retratar. No documento, ele recuou, afirmou que não teve "nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes" e atribuiu palavras "contundentes" anteriores ao "calor do momento".

O mercado financeiro havia reagido mal aos ataques feitos pelo mandatário no feriado. Também foram levantadas preocupações de que negociações sobre os precatórios e reformas estruturantes poderiam ser inviabilizadas.

Após a nova declaração do presidente, a trajetória de queda na cotação dos ativos foi revertida e os índices da bolsa de São Paulo passaram a subir.

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