Secretários cobram da Saúde pagamento por leitos de UTI montados em hospitais de campanha

Renata Mariz
O ministro da Saúde, Nelson Teich ( 22-04-2020)

BRASÍLIA — O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) informou que o ministro Nelson Teich se comprometeu a fazer uma campanha nacional com informações sobre distanciamento social, medidas de prevenção como lavagem das mãos e outras informações sobre a pandemia da Covid-19. O compromisso, segundo a entidade, foi firmado em reunião na terça-feira. Participantes ouvidos pelo GLOBO disseram que o encontro teve momentos de tensão. Uma das cobranças apresentadas pelos gestores é a necessidade de pagamento pelos leitos de UTI montados em hospitais de campanha.

Teich vem afirmando que a orientação da pasta para se manter o distanciamento social, feita ainda na gestão do antecessor Luiz Henrique Mandetta, nunca mudou. Já medidas de fechamento parcial ou total de comércio e demais atividades, cabem a gestores locais, segundo o ministro tem afirmado ao ser questionado.

O presidente do Conass, Alberto Beltrame, ressaltou durante a reunião que o isolamento social é a estratégia mais adequada para reduzir a velocidade da transmissão do novo coronavírus no País e cobrou um "discurso único do SUS sobre o tema", pedindo ao Ministério da Saúde que se junte a "Estados e municípios no esforço para que a população fique em casa".

"O Conass observou que, apesar de o tema ser de grande relevância, não foi realizada até o momento uma campanha publicitária de alcance nacional com informações sobre a pandemia, medidas de prevenção, como a lavagem de mãos, e o distanciamento social. Teich afirmou que essa solicitação dos secretários será atendida", disse a entidade em nota.

Ainda conforme o Conass, ficou acertado que haverá reuniões diárias com representantes da pasta e secretários estaduais e municipais de saúde para traçar estratégias de enfrentamento à epidemia. A demora na entrega de materiais para o tratamento de pacientes, de equipamentos de proteção usados por profissionais de saúde e na habilitação de mais leitos de UTI foram alguns dos gargalos apresentados pelos gestores.

A necessidade de pagamento pelos leitos de terapia intensiva instalados em hospitais de campanha também foi levantada pelos secretários de Saúde. A previsão atual é de que sejam reembolsados apenas atendimentos de leitos comuns, disse a entidade em comunicado oficial.