Secretários pedem que Queiroga reconheça onda de Covid e estimule testagem

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  13-07-2021, 12h00: O ministro da Saúde Marcelo Queiroga. O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do vice presidente Hamilton Mourão e dos ministros Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Paulo Guedes (Economia), durante solenidade alusiva à sanção da privatização da Eletrobrás, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 13-07-2021, 12h00: O ministro da Saúde Marcelo Queiroga. O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do vice presidente Hamilton Mourão e dos ministros Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Paulo Guedes (Economia), durante solenidade alusiva à sanção da privatização da Eletrobrás, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) pediu nesta quarta-feira (12) que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reconheça nova onda da Covid-19 e apoie medidas como a ampliação da testagem e da cobertura vacinal.

A entidade afirma que "o crescimento de casos, impulsionado pela nova variante [ômicron], volta a impor desafios aos sistemas de saúde público e privado do país".

O conselho ainda aponta que o Brasil "está vulnerável a uma grande onda de casos", pois 1 terço da população não tem o esquema vacinal primário completo.

"Se o sistema hospitalar entrar em colapso, tanto na rede privada, quanto na rede pública, óbitos evitáveis poderão ocorrer pela não garantia de acesso à internação", afirma ofício assinado pelo presidente do Conass e secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, e direcionado a Queiroga.

No documento, o Conass pede distribuição de recursos para abertura de pontos de testagem em massa. A proposta do conselho é de R$ 4 de aporte por teste enviado pelo governo federal a cada estado ou município.

Ainda cobra "imediata deflagração de campanha pela imunização completa de toda a família brasileira, com destaque para a vacinação infantil".

O tema é sensível no governo federal, pois o presidente Jair Bolsonaro (PL) distorce dados e desestimula a vacinação dos mais jovens.

Apesar da resistência do presidente, o governo deve distribuir 20 milhões de doses da Pfizer direcionadas ao grupo de 5 a 11 anos no primeiro trimestre. Também aguarda aval da Anvisa para aplicar a Coronavac no público de 3 a 17 anos.

O Conass também pede posicionamento do Ministério da Saúde sobre o cancelamento nacional de eventos como o Carnaval de rua.

"Sendo a ômicron mais transmissível e responsável pelo aumento de pacientes com sintomas leves, os serviços ambulatoriais estarão pressionados por quadros clínicos que exigem testagem imediata, prescrição médica e emissão de atestados para o devido isolamento dos positivos", afirmou o Conass, na nota.

"Em países onde a nova variante já impacta em recordes de casos leves, a rede hospitalar também já se encontra pressionada por casos graves, principalmente em pacientes não-vacinados, incluindo as crianças", disse ainda a entidade.

Em evento do Ministério da Saúde sobre a ômicron nesta quarta, Queiroga disse que a variante traz receio de colapso no atendimento de saúde, mas que a doença ainda não tem pressionado estes serviços.

A disparada de casos da Covid, porém, tem obrigado governos locais a reabrirem leitos. No estado de São Paulo, as internações por Covid-19 em UTI cresceram 91% em oito dias.

Ainda no ofício enviado a Queiroga, o Conass pede reforço no monitoramento do estoque de medicamentos, equipamentos de proteção e kits de intubação, insumo que faltou em altas anteriores da Covid-19.

O conselho também cobra autorização para ampliar a estrutura de atendimento da Covid-19, com financiamento de novos leitos, além da "inclusão imediata da vacinação de crianças e adolescentes contra a Covid-19 no calendário nacional de vacinação".

Os últimos dias no Brasil têm sido marcados por alta procura de testagem e por diversos registros de pessoas infectadas pela variante --mesmo vacinadas ou que tiveram Covid anteriormente. A curva de óbitos, porém, não tem acompanhado esta alta.

Entidades científicas cobraram na terça (11) uma política de testagem mais ampla do governo federal e a permissão do autoteste. A procura pelos exames disparou com o avanço da contaminação na virada do ano.

Em nota divulgada nesta quarta, a Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica) alertou para risco de falta insumos necessários nos exames da Covid-19. A entidade recomendou priorização de exames a pacientes "segundo uma escala de gravidade".

Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a minimizar a crise sanitária e sugeriu que a nova cepa é "bem-vinda".

"[A] ômicron, que já espalhou pelo mundo todo, como as próprias pessoas que entendem de verdade dizem: que ela tem uma capacidade de difundir muito grande, mas de letalidade muito pequena", disse Bolsonaro, em entrevista ao site Gazeta Brasil.

"Dizem até que seria um vírus vacinal. Deveriam até... Segundo algumas pessoas estudiosas e sérias --e não vinculadas a farmacêuticas-- dizem que a ômicron é bem-vinda e pode sim sinalizar o fim da pandemia", declarou ainda Bolsonaro.

O diretor-executivo do programa de emergências em saúde da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, reagiu à fala de Bolsonaro, dizendo que "este não é o momento de declarar que esse vírus é bem-vindo, nenhum vírus que mata pessoas é bem-vindo".

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