Secretários reclamam de postagens de Bolsonaro e fazem 'pedido de pacificação'

Renata Mariz
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BRASÍLIA — Secretários estaduais e municipais de Saúde aproveitaram a reunião de gestão tripartite do SUS, realizada nesta terça-feira em Brasília com autoridades do Ministério da Saúde, para reclamar de postagens feitas pelo presidente Jair Bolsonaro sobre vacinação e pedir uma mudança de atitude. Sem citar o nome do presidente, gestores afirmaram que notícias "fake" e descontextualizadas para colocar a população contra as autoridades locais vão contra o discurso de "união" pregado pelo ministro da pasta, Marcelo Queiroga, e não ajudam o país a superar o desafio da pandemia.

As postagens que despertaram a ira de governadores, prefeitos e secretários contrapõem o número de doses distribuídas pelo Ministério da Saúde e o número de doses aplicadas. A mensagem ignora, porém, que parte dos imunizantes precisa ser guardada para aplicação da segunda dose e também a lentidão do preenchimento informatizado das informações sobre os vacinados — em muitos locais, é feito em planilha é só depois inserido no sistema oficial de dados.

— A colocação aqui não é de raiva. É um pedido de pacificação para que, nós, juntos (...) não entremos no Dia das Mães com uma soma de mortos que eu não quero nem pensar— disse Jurandi Frutuoso, secretário-executivo do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Os gestores relataram ainda que há postagens focando determinados estados, com dados do Ministério da Saúde, sobre as doses de vacinas distribuídas e aplicadas, sem nenhuma contextualização sobre os procedimentos estipulados pelo próprio governo federal, como a guarda da metade das vacinas para segunda dose — regra válida para os imunizantes na maior parte das pautas de distribuição até agora.

Apesar de não citar nomes, os secretários se referiam a Bolsonaro, segundo relatos colhidos pelo GLOBO. Postagens como as descritas têm sido publicadas pelo presidente nos últimos dias, com dados atribuídos ao Ministério da Saúde, e compartihadas por simpatizantes nas próprias redes sociais e também em aplicativos de mensagens.

Governadores estão irritados com as mensagens. Nesta terça-feira, o governador do Maranhão, Flavio Dino, publicou em suas redes: "Criminosos espalharam que governadores receberam trilhões de reais e não gastaram no combate à pandemia, o que é mentira. E estão agora espalhando que governadores estão escondendo vacinas, omitindo que a vacinação é executada pelos municípios. Fake news é coisa de bandido".

Mensagens sobre valores recebidos pelos governadores para o combate à pandemia também já foram tema de postagens de Bolsonaro. Na ocasião, gestores locais afirmaram que a publicação do presidente misturava montantes de repasses, incluindo até mesmo transferências de fundos constitucionais, e não correspondiam à verdade.