Secretários de Saúde fazem cartão de Natal a crianças e avisam que não vão exigir prescrição para vacina

·2 min de leitura
This photograph taken on December 23, 2021 shows vials of the Pfizer-BioNTech (Comirnaty) Covid-19 vaccine during the visit of France's Health Minister Olivier Veran and France's Junior Minister for Childhood and Family Affairs Adrien Taquet at vaccination centre against Covid-19, in the 5th arrondissement of Paris, as part of the vaccination of children under 12. (Photo by Eliot BLONDET / various sources / AFP) (Photo by ELIOT BLONDET/AFP via Getty Images)
Frasco laranja é de vacina da Pfizer para crianças, enquanto o roxo é usado em adultos (Foto: ELIOT BLONDET/AFP via Getty Images)
  • Secretários estaduais de Saúde se opuseram ao anúncio do Ministério da Saúde de que será necessário ter autorização médica para vacinar crianças

  • Conass divulgou uma carta nas redes sociais direcionada às crianças brasileiras

  • Vacinação de crianças de 5 a 11 anos já foi aprovada pela Anvisa

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Secretários estaduais de Saúde reagiram ao anúncio do governo de Jair Bolsonaro de que irá recomendar que crianças de 5 a 11 anos sejam vacinadas contra Covid-19, desde que mediante a apresentação de prescrição médica e consentimento dos pais

Os gestores fizeram um cartão de Natal endereçado a crianças do Brasil para avisar que não vão exigir nenhum tipo de documento para vaciná-los (leia a íntegra da carta ao final desta página). 

Apesar da recomendação do governo federal, quem define como será a vacinação e quais regras devem ser aplicadas são estados e municípios. 

O uso da Pfizer já foi autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a faixa etária. 

Nos bastidores, alguns dos gestores estaduais afirmam que Marcelo Queiroga (Saúde) atua apenas em função da base bolsonarista e só quer holofotes. 

As ações do ministro à frente da pasta têm sido duramente criticadas pelos secretários. 

O presidente do conselho, Carlos Lula, chegou a dizer em entrevista à Folha, em outubro, que Queiroga tinha perdido as condições de gerir o ministério. 

A vacinação de crianças virou alvo de Jair Bolsonaro desde quando o tema começou a ser discutido. 

A exigência de prescrição médica foi anunciada pelo ministro em entrevista coletiva nesta quinta-feira (23) à noite. 

"A nossa recomendação é que essa vacina não seja aplicada de forma compulsória. Ou seja, depende da vontade dos pais. E essa vacina estará vinculada a prescrição médica, e a recomendação obedece a todas as orientações da Anvisa", disse Queiroga. 

O assunto também deu início a uma crise e uma forte pressão de Bolsonaro sobre a Anvisa. 

O presidente chegou a dizer que iria divulgar o nome dos técnicos da agência que aprovaram o uso da vacina da Pfizer para crianças a partir de cinco anos. 

Como mostrou o Painel no início de dezembro, secretários afirmavam nos bastidores que Queiroga havia abandonado os compromissos com a pasta para se dedicar a uma agenda própria eleitoral para uma futura candidatura. 

Eles diziam que os posicionamentos mais recentes do ministro são para agradar o mesmo eleitorado do presidente da República e não ajudam no combate à pandemia.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos