Secretaria exonera diretor de cadeia no Rio onde estava detento que morreu após rebelião

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RIO - O diretor do presídio Romeiro Neto, em Magé, na Baixada Fluminense, foi exonerado do cargo nessa segunda-feira. A saída do inspetor penitenciário André Luiz de Jesus foi publicada no boletim da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Em seu lugar, assume o inspetor Demétrio Pereira Martins Junior. A exoneração ocorreu após a morte de um preso durante uma rebelião na última sexta-feira no presídio.

Também perdeu o cargo o subdiretor da unidade, André Luiz Rolim Pinto. Para o seu lugar, foi designado Alex Sander da Silva Suriano. Foram exonerados ainda o diretor e o subdiretor do presídio Nelson Hungria, no Complexo de Gericinó, onde também houve rebelião na última sexta.

No mesmo boletim, foi publicada a exoneração do diretor do Instituto Penal Edgar Costa, em Niterói. Anderson Leone Teixeira está sendo investigado por denúncia de usou um carro oficial da secretaria para ir a um motel na cidade. O caso foi revelado pela TV Globo. Para o cargo, foi desginado o tambem inspetor Ricardo Eduardo Custódio. O subdiretor da unidade também foi exonerado.

Responsável por coordenar unidades prisionais de Niterói e do interior do Rio, incluindo a penitenciária Romeiro Neto, o inspetorAlfredo Ferreira de Souza Filho também perdeu o cargo. Em seu lugar, assume o inspetor Márcio Fernandes.

A secretaria ainda mudou a direção e subdireção de outras oito unidades prisionais do estado, incluindo a cadeia pública Juíza Patricia Acioli, em São Gonçalo, e o Jonas Lopes de Carvalho, no Complexo de Gericinó.

Preso morto em rebelião

A rebelião ocorrida na última sexta-feira no presídio Romeiro Neto deixou um preso morto. Edson Alves Luiz, de 41 anos, teve queimaduras no corpo e chegou a ser atendido no Hospital estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo informações obtidas pelo EXTRA, o interno chegou à unidade em estado gravíssimo, com 80% do corpo queimados, e manobras de reanimação chegaram a ser realizadas durante 20 minutos. Após esse período, ele acabou morrendo.

Durante a rebelião, os presos atearam fogo em colchões na unidade prisional. O Corpo de Bombeiros precisou ser acionado, assim como o Grupamento de Intervenção Tática (GIT) da secretaria. O motim teve início por causa da transferência de Avelino Gonçalves Lima, o Alvinho, de 50 anos. Por decisão administrativa da Seap, o preso seria levado do presídio Romeiro Neto para o Nelson Hungria, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.

Tanto o presídio Romeiro Neto quanto o Nelson Hungria são destinados a presos neutros e que estão no chamado seguro por soferem algum tipo de ameaça dentro do sistema carcerário. Nessas unidades, surgiu um grupo que se autodenomina Povo de Israel e pratica o que ficou popularmente conhecido como "Disque-extorsão". Alvinho é apontado como um dos chefes desse grupo.

Na sexta-feira, no presídio Nelson Hungria, presos também chegaram a iniciar um motim, mas foram contidos por agentes do GIT.

Viatura oficial para ir a motel

O ex-diretor do Instituto Penal Edgar Costa, Anderson Leone Teixeira, é investigado por suspeita de ter usado uma viatura da secretaria para ir a um motel em Niterói. A TV Globo obteve uma foto do veículo usado por Leone entrando no estabelecimento.

Em entrevista ao "Bom Dia Rio", ele negou a acusação.

— A unidade tem carro, mas eu desconheço essa denúncia — se defendeu Anderson, em entrevista à TV, quando foi perguntado se ele utiliza um carro oficial da Seap. Ao ser indagado se usou o veículo oficial alguma vez para ir ao motel no Centro de Niterói, ele é taxativo: — Não, negativo.

De acordo com a denúncia, há pelo menos três meses que, semanalmente, o diretor é visto entrando no motel com o mesmo carro oficial. Ainda segundo a denúncia feita à TV, ele chegaria sempre na hora do almoço e permaneceria no local por pelo menos seis horas, ou seja, quando deveria estar trabalhando.

A imagem gravada pela câmera do capacete de um motociclista registrou a movimentação do veículo. Depois de passar por alguns cruzamentos, o motorista liga a seta para a esquerda e entra em um motel.

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