Secretaria municipal de Conservação encomenda relatório sobre qualidade de asfalto das pistas do Aterro

Rafael Nascimento de Souza
·3 minuto de leitura
Antonio Scorza em 11-11-2019 / Agência O Globo

RIO — Um relatório encomendado pela Secretaria municipal de Conservação, que deverá ficar pronto nos próximos meses, dirá se a Prefeitura do Rio deve ou não refazer uma nova obra nas pistas do Aterro do Flamengo, via que liga bairros da Zona Sul do Rio aos da Região Central e Norte da cidade. A informação foi dada ao GLOBO, na manhã desta segunda-feira, dia 4, pela secretária da pasta, a economista Anna Laura Valente Secco.

Em 2019, ainda na gestão de Marcelo Crivella (Republicanos), o governo municipal gastou R$ 100 milhões no Pavimenta Rio, programa de recuperação de vias públicas da cidade. No entanto, na avaliação de especialistas, a antiga gestão pode ter falhado na composição da massa asfáltica utilizada na via.

— (A situação do Aterro do Flamengo) está sendo revista pelo corpo técnico da Conservação. Inclusive, com um laboratório contratado para apresentar uma solução para aquele problema — informou Anna Laura.

Ainda de acordo com a gestora, a Prefeitura “espera que não seja preciso” ter que refazer o recapeamento da estrada.

— Eles darão uma solução técnica que visa a devolver a segurança para os carros que trafegam por ali. Acreditamos, e esperamos, que não seja necessário refazer a obra — completou a economista.

A secretária não informou qual é o laboratório que está fazendo a análise e nem quanto a pasta irá gastar com a consultoria.

Anunciado por Crivella como um dos mais importantes projetos de sua administração, o programa Pavimenta Rio, para recuperar 150 quilômetros de vias da cidade ao custo de R$ 400 milhões, derrapou logo em seu primeiro teste. Em novembro de 2019, um mês após a aplicação de um microrrevestimento sobre as pistas do Aterro, que deixou o asfalto escorregadio, segundo motoristas, o município determinou que fossem feitos uma análise sobre a qualidade do serviço e reparos no trecho onde ocorreu uma série de acidentes.

Naquele mesmo mês, o Tribunal de Contas do Município (TCM) solicitou ao Laboratório de Geotécnica e Pavimentos da Coppe/UFRJ uma perícia do material aplicado na pista. Segundo o laudo final, ficou comprovado que a Prefeitura do Rio utilizou material inadequado no recapeamento das pistas do Aterro. De acordo com o documento, que ficou pronto quase um ano depois, a aplicação do selante asfáltico foi o responsável por um aumento no número de acidentes, principalmente em dias chuvosos, causando um prejuízo de R$ 154 mil aos cofres públicos.

No ano passado, o TCM pediu a troca do material e decidiu apurar a responsabilidade do dano.

Procurada, ainda em novembro, a então Secretaria de Infraestrutura informou que o produto “utilizado no Aterro é uma mistura de selante com material granular e polímeros, que serve para impedir a infiltração de água no pavimento, aumentado a vida útil da pista em até oito anos”.

Ruas esburacadas e asfalto com qualidade ruim

Questionada sobre a situação das ruas da cidade, que estão cheias de buracos e ondulações, causando transtornos a motoristas e motociclistas, Anna Laura afirma que “a qualidade do asfalto” é um dos problemas e um dos principais gargalos a serem sanados por sua gestão.

— Existem muitas ruas pela cidade que estão com esse problema. Neste final de semana tivemos a primeira experiência com a chuva, e todos os buracos reabriram com o temporal. Os buracos são um problema grande que temos. A qualidade do asfalto também. Arrisco a dizer que nesses últimos anos a qualidade não estava tão boa. Mas voltaremos com a melhoria. A partir de agora, a produção do asfalto será nas quatro usinas que temos e é de excelente qualidade — informou.