Secretaria de Saúde estuda mecanismo para limitar distribuição de vacinas contra gripe e evitar filas nos postos do Rio

Luiz Ernesto Magalhães
Na segunda-feira, uma longa fila de carros se formou na Avenida Ayrton Senna, no Posto do Detran, onde foi realizada a vacinação contra gripe

RIO - A secretária municipal de Saúde do Rio, Ana Beatriz Busch, disse nessa terça-feira que não descarta criar algum mecanismo para limitar a distribuição de vacinas contra a gripe a idosos e conter filas nos pontos de vacinação. Na segunda-feira, primeiro dia da campanha, foram aplicadas 220 mil doses, o que representa 90% dos estoques. Em 2019, a prefeitura levou uma semana para aplicar o mesmo número.

- Faço um apelo. Nós não queremos filas nos postos. Se isso continuar a acontecer podemos ter que criar alguma restrição de acesso às vacinas entre os idosos. Podemos começar, por exemplo, a aplicar por ordem alfabética, dividindo grupos a partir das iniciais dos nomes - disse a secretaria de Saúde.

Nesta terça-feira pela manhã alguns postos chegaram a registrar falta de vacinas. Tanto o prefeito Marcelo Crivella quanto Ana Beatriz Busch admitiram que poderiam estar de fato ocorrendo faltas pontuais. Um segundo lote com 300 mil doses tinha previsão de entrega pelo Ministério da Saúde para às 11 horas.

As filas continuaram. Na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, onde foi montado um posto "drive thru" em uma instalação do Detran, a prefeitura observou carros aguardando pelo atendimento às 6h, embora o horário previsto para a abertura fosse às 10h. A Cet-Rio decidiu liberar os portões às 7h45, quando já tinham cerca de 50 carros estacionados no local e a vacinação começou de forma antecipada, às 9h.

As declarações foram feitas no Riocentro durante a apresentação de militares do Exército e da Marinha e de enfermeiros da Cruz Vermelha que vão trabalhar no RioCentro. Com dez postos de vacinação, o espaço deve começar a operar também no sistema "drive thru" até quinta-feira.

-A gente espera que esse posto receba mais gente que todos os demais postos Drive Thru da prefeitura- disse Crivella.

Ao todo, 30 militares e 30 agentes da Cruz Vermelha vão trabalhar no RioCentro. Nesta terça eles vão percorrer postos de vacinação para se familiarizar com o serviço. Começaram a chegar nesta terça-feira os materiais para a obra que vai adaptar um pavilhão do centro de exposições como hospital de campanha.No local haverá 500 leitos, sendo 400 clínicos e 100 de emergência. Eles devem representar uma reserva para atendimento de especialidades que não estejam relacionadas à epidemia do novo coronavírus e serão ativados caso 70% das vagas dos leitos da cidade sejam ocupados por pacientes que se recuperam da Covid-19.