Secretaria vai investir na recuperação de pistas esburacadas e desniveladas do BRT

Rafael Nascimento de Souza
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Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

A Secretaria municipal de Conservação informou que fará um trabalho de reestruturação dos corredores seguindo um cronograma para recuperar as pistas esburacadas e desniveladas. Anna Laura Valente Secco, secretária municipal da pasta, afirmou que “a recuperação do pavimento do corredor expresso” vai evitar que os ônibus enguicem com frequência.

Obras estão sendo feitas pelo consórcio que explora o serviço. A concessionária não informou o custo do projeto: “são recursos próprios do BRT Rio, e o valor varia de acordo com cada estação”. Segundo a empresa, de março a outubro, a arrecadação caiu R$ 155 milhões devido à redução do fluxo de passageiros, que, nos primeiros três meses, chegou a 75%.

Nos últimos anos, 28 estações vandalizadas foram reformadas e recuperadas. Ontem, a Pinto Teles, em Campinho, na Zona Norte, e a Bosque Marapendi, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, voltaram a receber passageiros.

O planejamento é entregar a reforma das estações do Tanque (Expresso), André Rocha, General Olímpio, Nova Barra e Praça do Bandolim até o fim deste mês. Outras 21 receberão intervenções e serão reabertas ainda no primeiro semestre deste ano. Inaugurado em junho de 2012, o modal tem, atualmente, 134 estações e transporta 188 mil pessoas por dia. Antes da pandemia, 330 mil usavam o sistema.

Antes das 5h e a fila de passageiros na estação Santa Cruz do BRT dava voltas no quarteirão. Quem lutava para conseguir embarcar era a empregada doméstica Isabel Ramos, de 56 anos, que trabalha na Barra da Tijuca e enfrenta todos os dias ônibus lotado, sem ar-condicionado, além da preocupação do risco de contaminação da Covid-19. O ano mudou, mas o sufoco no sistema BRT para os passageiros continua o mesmo.

Para amenizar o problema, a prefeitura começou a fazer ontem um trabalho de desinfecção e de conscientização contra aglomerações em 26 estações, e dois terminais que tinham sido destruídos por vândalos foram reabertos.

Mas a solução para o aperto enfrentado pelos usuários só deve vir no fim do mês, segundo a Secretaria municipal de Transporte, que promete fazer mudanças para aumentar a frota que circula pelos corredores Transoeste, Transolímpico e Transcarioca. Mesmo com a presença de diversos representantes da Prefeitura, os articulados do BRT saiam superlotados. Segundo dados do consórcio que administra o BRT, 51 estações estão fechadas.

— Eu pego em Santa Cruz e vou até o Alvorada. Os ônibus demoram muito, não tem climatização e muita aglomeração. A situação piorou durante a pandemia — lembrou Isabel.

Para quem precisa chegar ao trabalho todos os dias usando o BRT, o sistema está muito longe do ideal.

— Chego aqui às 4h40 e só saio às 6h. Tenho que chegar cedo para entrar. A fila está andando um pouco rápido hoje (ontem) porque a imprensa está aqui. Amanhã, volta tudo ao normal — disse auxiliar de serviços gerais Cristine Lemos, de 30 anos.

A secretária municipal de Transportes, a economista Maína Celidonio de Campos, anunciou ontem que não haverá aumento do valor da passagem de ônibus por enquanto e que fará uma auditoria no sistema BRT. Segundo ela, que esteve ontem na estação Santa Cruz, existem “problemas no contrato em relação ao cálculo da tarifa”.

— Não está no calendário o aumento. Não tem nenhum planejamento para aumentar a passagem — destacou. — Precisamos entender o sistema (BRT), a frota.

A nova gestão está levantando quantos ônibus rodam hoje nos três corredores do BRT e quantos ficam parados nas garagens. A ideia é tentar aumentar a oferta.

— Também vamos fazer um estudo da demanda para ver quais são as estações, os horários-chave, para que a gente aumente essa frota em períodos específicos. Faremos isso este mês para trazer uma regularidade para o serviço e mitigar as aglomerações — disse a secretária.

O diagnóstico também vai se estender para as outras linhas de ônibus. Durante a pandemia, muitas deixaram de circular ou reduziram o número de veículos.

— Há empresas que faliram, e, neste caso, o consórcio tem que restabelecer o serviço. Até o fim do mês, ficará pronto um estudo para mostrar quantos ônibus poderão voltar (às ruas) — prometeu Maína.