Família de secretário da Pesca de Bolsonaro é multada por pesca irregular

O empresário Jorge Sief (à esq., de cinza), o presidente Jair Bolsonaro, e o secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Junior. (Foto: Reprodução/Twitter)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Embarcação industrial atracada em Angra levava iscas vivas, irregulares, para pesca de atum

  • Área onde fiscais agiram é a mesma onde Bolsonaro fez pesca ilegal e foi multado, em 2012

Multas avaliadas em R$ 70 mil foram aplicadas à família do secretário da Pesca no governo de Jair Bolsonaro (PSL), Jorge Seif Júnior, por pesca ilegal em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio.

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A embarcação de pesca, do tipo industrial e batizada de “Dona Ilva”, teve a ação flagrada por fiscais no mesmo local onde Bolsonaro foi multado por pesca irregular no ano de 2012. Ela pertence à empresa do pai do secretário, Jorge Seif, e estava ancorada em Angra.

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Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, as duas multas e uma notificação foram aplicadas no último dia 25 à madrasta do secretário da Pesca, Sara Kischener Seif. Uma delas, no valor de R$ 40 mil, foi aplicada depois que os agentes do instituto localizaram 250 quilos de iscas vivas de peixes (sardinhas). A espécie tem pesca proibida em função de estar em período de reprodução. As iscas seriam usadas para pescar atum na região Sul do Brasil.

A segunda multa, de R$ 30 mil, foi aplicada em função de problemas técnicos encontrados na embarcação. De acordo com a fiscalização, os problemas impediam um rastreamento constante do barco.

A terceira autuação foi a notificação a Sara Seif para que consertasse os aparelhos de identificação.

“Cancún brasileira”

Bolsonaro tem prometido transformar a baía de Angra dos Reis em uma "Cancún brasileira". Ano passado, após o segundo turno em que foi eleito, teve anulada pelo Ibama a multa ambiental que recebera por pesca ilegal na região. Em março passado, o fiscal que o multou foi exonerado.

A atividade pesqueira em Santa Catarina é adotada pela família do secretário da Pesca há mais de 40 anos. O secretário era sócio dos negócios pesqueiros do pai até pelo menos dezembro do ano passado. Conflitos de interesse apontados pela Comissão de Ética da Presidência o fizeram deixar os negócios para assumir o posto no governo.

Ao jornal, o secretário disse não podia responder pelos atos da empresa de sua família. "Hoje eu sou governo. Em dezembro, assinei, no Conselho de Ética, o meu afastamento total das questões das empresas. Essas perguntas devem ser feitas ao meu pai, que toca as empresas e os barcos", minimizou.

Por outro lado, o secretário afirmou que, “segundo a Marinha”, a responsabilidade pela pesca ilegal das sardinhas é do capitão do barco e sua tripulação. " A decisão de pescar ou não, de jogar rede ou não, de entrar numa área de proteção ou não, não é dos donos da embarcação", refutou.

O empresário Jorge Seif, pai do secretário e dono da JM Seif Transportes, com sede em Itajaí (SC), alegou não saber onde o barco de sua empresa pescava e prometeu demitir toda a tripulação quando chegasse em terra e pagar as multas pela pesca ilegal. "Como é que ele me vai pescar proibitivamente, sem minha autorização, e ele [o capitão da embarcação] sabendo que eu sou pai do secretário da pesca?", disse.

Apesar da reação do empresário, a família dele já foi multada em várias ocasiões. Em fevereiro passado, por exemplo, com o filho já no governo, o Ibama também autuou a família por pesca irregular.