Secretário de SP diz que vai rever câmeras em PMs e procuradores rebatem

O programa "Olho Vivo" foi implementado pela PM paulista em 2020

Novo secretário de SP Guilherme Derrite ao lado de Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Facebook)
Novo secretário de SP Guilherme Derrite ao lado de Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Facebook)
  • Secretário da Segurança de SP diz que vai rever programa de câmeras corporais da PM;

  • O "Olho Vivo" foi implementado pela PM paulista em 2020;

  • Batalhões que usam o programa tiveram quedas de mortes em confrontos.

O novo secretário da Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou, em entrevista à rádio Cruzeiro, de Sorocaba, que vai rever o programa de câmeras corporais da PM (Polícia Militar), o “Olho Vivo”.

Derrite contou que vai analisar o estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) que mostra que o uso de câmeras portáteis nos uniformes de policiais militares do estado evitou 104 mortes —redução de 54% em relação ao período anterior em que a medida entrou em vigor.

As câmaras corporais começaram a ser implementadas em 2020. O estudo da FGV considerou os 14 meses em que os equipamentos estão em vigor.

"Nós vamos rever o programa. O que existe de bom vai permanecer. Aquilo que não está sendo bom e que pode ser comprovado cientificamente que não é bom, por isso a importância de analisar esse estudo da Fundação Getúlio Vargas, a gente vai propor ao governador possíveis alterações", afirmou ele.

A declaração do secretário causou reações do procuradores da Justiça de São Paulo.

Segundo o portal g1, eles dizem que a suspensão ou a retirada das câmeras pode ser entendida como "licença para matar".

A manifestação foi assinada inicialmente pelos ex-procuradores Luiz Antonio Guimarães Marrey e Rodrigo Cesar Rebello Pinho, e os procuradores Paulo Afonso Garrido de Paula e Plínio Antonio Brito Gentil, endossada por mais 13 procuradores.

"Deve ser assinalado que a supressão das câmeras ou mesmo a diminuição do programa, poderá ser entendido por setor minoritário da polícia como verdadeira licença para matar pois não parece ser simples coincidência a diminuição da letalidade policial em unidades onde as câmeras foram adotadas, propiciando ao alto escalão da corporação maior controle do que ocorre no policiamento", diz o texto.

"Além da queda das mortes praticadas por policiais e sofridas por eles, a existência das câmeras ajuda a garantir que sejam seguidos procedimentos padrão estabelecidos pelo comando e pode evitar outras formas de violência arbitrária e mesmo a corrupção", completa. O registro também foi feito pelo portal g1.