Sedes do partido do presidente Castillo são revistadas no Peru

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Partidários do presidente Pedro Castillo expressam seu apoio ao novo gabinete em 26 de agosto de 2021, em Lima, Peru (AFP/ERNESTO BENAVIDES)
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Promotores peruanos e a polícia revistaram os escritórios do partido de esquerda Peru Livre neste sábado(28) em uma investigação sobre o financiamento da campanha eleitoral que levou Pedro Castillo à Presidência.

As buscas em sete imóveis, incluindo a casa do líder do partido, Vladimir Cerrón, foram autorizadas pelo juiz Carlos Sánchez a pedido do Ministério Público.

O MP iniciou uma investigação preliminar contra o Peru Livre por suposta lavagem de dinheiro, que inclui o novo chefe de gabinete de Castillo, Guido Bellido.

O juiz autorizou a “entrada, busca domiciliar, apreensão de bens e destravamento (que deve incluir a quebra de fechaduras, guarda-roupas, armários, escritórios particulares, cofres de metal, madeira e outros)” nas sete propriedades, segundo um documento judicial.

O promotor Richard Rojas comandou as operações em três imóveis em Lima e quatro na cidade andina de Huancayo, onde mora Cerrón, condenado em 2019 a quatro anos de prisão com suspensão por corrupção enquanto era governador da região (Junín). A sentença o impediu de ser candidato a vice-presidente de Castillo.

A investigação preliminar tem como alvos Bellido e Cerrón, um médico formado em Cuba, além do partido Peru Livre, como pessoa jurídica.

"Os dirigentes do Peru Livre têm que se submeter à justiça como os dirigentes de outros partidos. O fato de ter responsabilidade no governo não os exime da investigação judicial", disse à AFP o analista político Hugo Otero.

- Turbulento primeiro mês -

Fundado por Cerrón em 2008 como movimento político com sede em Huancayo, o Peru Livre se define como marxista-leninista.

O partido chegou ao poder com a vitória de Castillo, um professor rural de Cajamarca (norte), sobre a candidata de direita Keiko Fujimori na votação de 6 de junho.

Em abril, conquistou a maior bancada do fragmentado Congresso peruano, 37 de um total de 130, o que o obrigou a buscar alianças.

As batidas se estenderam por várias horas sem contratempos, mas o partido governista expressou em um comunicado seu "estranhamento" com a medida.

Acrescentou estar disposto a "colaborar" com as investigações de financiamento de campanha, mas repudiou "qualquer tentativa de amedrontamento das forças de ordem, Ministério Público e Poder Judiciário, de pretender violar o devido processo".

As batidas foram realizadas no dia em que Castillo completou um mês no poder, período marcado pelo cerco da oposição e apelos para sua destituição, e no dia seguinte à concessão do voto de confiança do Congresso ao gabinete chefiado por Bellido, que lhe permitiu permanecer no cargo.

A votação no Congresso foi o primeiro teste para o governo de Castillo, que assumiu o cargo em 28 de julho após um confronto de cinco anos entre Executivo e Legislativo, enquanto a incerteza levanta nuvens sobre a economia peruana, que tenta deixar para trás os efeitos nocivos da pandemia.

Disputas entre o novo governo e a oposição custaram o cargo do ministro das Relações Exteriores, Héctor Béjar, em 17 de agosto. Os opositores esperavam novas mudanças de ministros, mas Castillo recusou. Em meio à tensão, o Congresso aprovou um voto de confiança ao gabinete por 73 votos a 50.

Acusações de corrupção e lavagem de dinheiro assombram políticos peruanos há cinco anos, quando estourou o escândalo de pagamentos ilegais pela Odebrecht, que afetou quatro ex-presidentes e Keiko Fujimori. Ela nega as acusações, mas passou 16 meses em prisão preventiva e deve ir a julgamento em breve.

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