Seguidores de Olavo de Carvalho assumem cargos no alto escalão do governo Bolsonaro

O escritor e filósofo Olavo de Carvalho (Reprodução/YouTube)

Vários dos discípulos do escritor Olavo de Carvalho foram nomeados para cargos no governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Os seguidores do filósofo conseguiram postos no Palácio do Planalto em três ministérios: Educação, Relações Exteriores e Economia — a influência supera a da bancada evangélica, que representa um importante público na eleição do capitão da reserva.

Radicado nos EUA, Olavo se popularizou ao criticar a esquerda a defender posições conservadoras. Na campanha eleitoral de 2018, apoiou a candidatura de Bolsonaro à Presidência da República – ele vinha se aproximando da família do então deputado há cerca de dois anos.

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Confira a seguir quem são os discípulos de Olavo de Carvalho no governo:

Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores

Um dos mais jovens chanceleres do país, Araújo, de 51 anos, foi indicado por Carvalho para chefiar o Ministério das Relações Exteriores; até então, ele chefiava o Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos da pasta.

Em artigo publicado na revista The New Criterion, Araújo diz que Olavo “talvez tenha sido a primeira pessoa no mundo a ver o globalismo como um resultado da globalização, a entender seus propósitos horríveis e a começar a pensar sobre como derrubá-lo”. Ele citou o escritor em sua posse.

Filipe Martins, assessor da Presidência para Assuntos Internacionais

Aos 31 anos, Filipe, formado em Relações Internacionais, é diretor de assuntos internacionais do PSL. Olavo de Carvalho o considera um dos seus alunos mais brilhantes.

Martins vai desempenhar papel equivalente ao de Marco Aurélio Garcia nos governos Lula e Dilma.

Ricardo Vélez, ministro da Educação

Também indicado por Olavo para o cargo, o colombiano é considerado pelo escritor um dos maiores pensadores da história do Brasil.

No discurso de posse, disse que sua gestão se inspirará “em dois grandes educadores”, Olavo de Carvalho e Antonio Paim.

Carlos Nadalim, secretário de Alfabetização do Ministério da Educação (MEC)

Até ser nomeado para o posto, Nadalim era coordenador pedagógico de uma escola infantil em Londrina, no Paraná, e mantinha um blog com dicas sobre educação infantil.

Há quatro anos, Olavo escreveu em uma rede social que Nadalim havia feito mais pela educação brasileira “do que todos os iluminados do MEC juntos”.

Murilo Resende Ferreira, diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) do MEC

Doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas, Ferreira se refere a Carvalho como “meu grande professor”.

Membro do movimento Escola Sem Partido, supervisionará a elaboração do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica do Ministério da Economia

Doutor em Economia pela Universidade de Brasília, Sachsida tornou-se aluno de Olavo há 14 anos. “Foi como encontrar a luz em meio às trevas”, ele relatou no Facebook. Ele é ex-pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).