Segunda dose de vacina contra a Covid-19 deve ser tomada mesmo fora do prazo, diz ministério

NATÁLIA CANCIAN
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A segunda dose da vacina contra Covid deve ser tomada mesmo fora do prazo recomendado pelos laboratórios, informou nesta terça-feira (27) o Ministério da Saúde.

A recomendação consta de nota técnica divulgada pelo Programa Nacional de Imunizações. "Essa é a orientação do Ministério da Saúde, que reforça a importância de se completar o esquema vacinal para assegurar a proteção adequada contra a doença", informou a pasta à imprensa.

A orientação ocorre em um momento em que algumas cidades já relatam falta de doses para a segunda aplicação e há preocupação sobre o risco de atraso na entrega de doses da Coronavac. Em João Pessoa, por exemplo, a Justiça determinou que a segunda dose seja aplicada dentro do prazo. A medida judicial gerou críticas do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, nesta segunda (26).

Em São Paulo, até o último dia 23, a estimativa era que 278 mil pessoas que tinham recebido a primeira dose ainda não tinham recebido o reforço.

O Brasil oferece hoje duas vacinas contra a Covid-19, e ambas precisam de duas doses para ter eficácia completa. No caso da Coronavac, o intervalo entre a primeira e a segunda dose é de 28 dias (ou quatro semanas). Já para a vacina da AstraZeneca/Oxford, o intervalo é de 12 semanas.

Segundo a pasta, "é improvável que intervalos aumentados entre as doses das vacinas contra a Covid-19 ocasionem a redução na eficácia do esquema vacinal". Ainda assim, a recomendação é que, sempre que possível, as vacinas sejam aplicadas dentro do prazo.

"Atrasos em relação ao intervalo máximo recomendado para cada vacina (4 semanas - Sinovac/Butantan) devem ser evitados uma vez que não se pode assegurar a devida proteção do indivíduo até a administração da segunda dose. Observa-se que, ainda que ocorram atrasos no esquema vacinal, O MESMO DEVERÁ SER COMPLETADO [grifo da pasta] com a administração da segunda dose o mais rápido possível", informa a nota técnica.

Um dia antes da divulgação da orientação para completar o esquema, Queiroga admitiu que há preocupação sobre a oferta da segunda dose da Coronavac devido ao atraso na chegada de insumos que são usados pelo Butantan para produzir a vacina.

"Há cerca de um mês liberaram as segundas doses para que se aplicassem, e agora, em face do retardo dos insumos vindos da China para o Butantan, há uma dificuldade com essa segunda dose. E, como esta semana não temos previsão de chegada de vacina do Butantan, só daqui a cerca de dez dias, vamos emitir uma nota técnica acerca desse tema", disse em audiência no Senado.

No mesmo encontro, o secretário de vigilância em saúde, Arnaldo Medeiros, que assina a nota técnica, disse que o volume pendente era "pequeno" e que as doses seriam entregues ainda "dentro do prazo vacinal".

No documento, o ministério calcula que ainda precisa enviar doses para a segunda aplicação da Coronavac equivalentes a 416.507 pessoas. A estimativa reúne pessoas que fazem parte de três grupos prioritários e representam 3% dos trabalhadores de saúde, 6,2% do grupo das forças de segurança e salvamento e 1,9% dos idosos de 60 a 64 anos, os quais começaram a receber a vacinação na metade de abril.

Segundo a pasta, a previsão é que o envio da segunda dose para esses grupos ocorra na primeira semana de maio, "cumprindo o ciclo vacinal no tempo adequado".

Na nota, sem citar números destes casos, o ministério afirma que "apesar das diferenças no fechamento dos esquemas da vacina Coronavac" em alguns locais, "em detrimento às orientações definidas", pretende enviar novas remessas a partir da segunda quinzena de maio para garantir "a compensação e fechamento dos esquemas (D1+D2) dos grupos prioritários iniciados." A pasta também orienta que seja seguido o plano de vacinação.