A Segunda Guerra Mundial no centro da disputa Macron-Le Pen

Por Eloi ROUYER
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Pedestre caminha próximo a cartazes dos candidatos à presidência da França no segundo turno, Emmanuel Macron e Marine Le Pen, em Paris, em 28 de abril de 2017

A Segunda Guerra Mundial ocupou nesta sexta-feira o centro do duelo presidencial na França, quando o partido de Marine Le Pen teve que expulsar seu presidente interino, acusado de declarações negacionistas, enquanto Emmanuel Macron viajava a um povoado marcado por um massacre nazista.

Jean-François Jalkh, que foi nomeado na segunda-feira presidente interino da Frente Nacional (FN) depois de Marine Le Pen afastar-se temporariamente da presidência do partido para o segundo turno da campanha eleitoral, foi substituído nesta sexta-feira pelo eurodeputado Steeve Briois.

"Hoje é Briois que assume. O assunto está encerrado", declarou o vice-presidente do partido, Louis Aliot, após a revolta provocada pela nomeação de Jalkh.

Em declarações publicadas em 2005 em uma revista universitária, o militante de extrema-direita de 59 anos evocou a "seriedade e o rigor" do argumento dos trabalhos do universitário negacionista Robert Faurisson, condenado diversas vezes por ter negado a realidade do Holocausto judeu durante a Segunda Guerra Mundial.

"Nós condenamos tais declarações e ele as nega", disse Aliot.

Desde que assumiu as rédeas do FN, Marine Le Pen tem se esforçado para polir a imagem polêmica da formação, por muito tempo alimentada por palavras antissemitas e revisionistas de seu pai, Jean-Marie Le Pen.

No início desta semana, este último, condenado em várias ocasiões, especialmente por incitamento ao ódio racial, elogiou no rádio o "resultado muito bom" obtido por sua filha no primeiro turno da eleição presidencial. "É o culminar de 45 anos de batalha política", disse ele.

Questões históricas já ocuparam o debate político durante esta campanha, principalmente quando Marine Le Pen afirmou no início de abril que a França "não era responsável" pela chamada "rafle du Vel’ d'Hiv'" (ataque ao velódromo de inverno), que levou à deportação de 152 judeus sob as ordens do governo francês em julho de 1942.

Uma página inteira, publicada nesta sexta-feira pela Associação de Filhos e Filhas dos Judeus Deportados da França no jornal Libération, recorda o passado para alertar sobre o futuro e intitulado "FN em 2017? Não, jamais. Contra Le Pen, vote Macron".

Coincidências do calendário, o centrista Emmanuel Macron visita nesta sexta-feira à tarde Oradour-sur-Glane, pequena localidade do centro da França onde uma unidade da Waffen SS massacrou 642 habitantes em 10 de junho de 1944.

'Os maus ventos'

"Quando você deve enfrentar uma candidata que muda o que foi dito sobre o Vel d'Hiv, que é a herdeira direta e assumida de alguém que apoia o negacionismo, que se construiu politicamente contra o General de Gaulle, é claro que faz sentido ir a Oradour", declarou Macron antes de sua visita a um jornal local.

Desde o primeiro turno, um intenso duelo opõe os dois candidatos. Le Pen continua à procura dos votos daqueles desencantados do primeiro turno da votação, da direita e da esquerda radical, para tentar provar que as pesquisas estão erradas em apontá-la como perdedora em 7 de maio contra Macron.

Le Pen espera o apoio, ou até mesmo a adesão de Nicolas Dupont-Aignan, candidato anti-europeu que obteve 4,70% dos votos no primeiro turno.

A extrema-direita também procura seduzir uma parte do eleitorado do candidato da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, que não deu instruções de voto aos seus eleitores para o segundo tuno das eleições, e que deve explicar sua posição em um discurso na internet.

O ex-prefeito socialista de Paris, Bertrand Delanoë, lançou um apelo pedindo "responsabilidade" para aqueles que irão votar em 7 de maio para bloquear a vitória da Frente Nacional.

Por sua parte, o presidente em fim de mandato, François Hollande, em viagem ao oeste da França, pediu para "afugentar os maus ventos" do "nacionalismo". O chefe de Estado pediu na segunda-feira votos para Emmanuel Macron, seu ex-ministro da Economia e que também recebeu o apoio do ex-presidente Nicolas Sarkozy.