Segundo dia de manifestações termina com 190 rodovias ainda bloqueadas, informa Polícia Rodoviária Federal

Caminhoneiros apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) continuaram a bloquear rodovias federais nesta terça-feira, no segundo dia de protestos contra o resultado das eleições de domingo, em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente. Intenso desde o início da manhã, o movimento de ocupação das vias começou a arrefecer durante a tarde, depois que Bolsonaro se pronunciou sobre o resultado das eleições — a Polícia Rodoviária Federal chegou a monitorar 271 bloqueios, mas o número caiu para 190 no último balanço divulgado, às 20h29.

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O segundo dia de manifestações de apoiadores de Bolsonaro começou agitado na rodovia Presidente Dutra, na altura de Barra Mansa (RJ). Principal ligação entre o Rio de Janeiro e São Paulo, a via foi um dos principais focos de interdições na segunda-feira.

Outros pontos de obstrução foram identificados na BR-101, próximo a Itaboraí (RJ). Durante a manhã, os manifestantes tiveram apoio de integrantes da Assembleia de Deus Ministério de Madureira e, na parte da tarde, aguardavam no acostamento o pronunciamento de Bolsonaro. Para desobstruir a via, uma das mais trafegadas no estado, agentes da PRF usaram bombas de efeito moral e balas de borracha, quando os manifestantes não atenderam aos pedidos de desocupação da Dutra.

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Além do Rio de Janeiro, houve uma alta concentração de manifestantes no Rodoanel Mário Covas, importante via localizada na Região Metropolitana de São Paulo. A ocupação foi rechaçada pelo governador Rodrigo Garcia (PSDB), que declarou apoio a Bolsonaro no segundo turno das eleições mas reconheceu a vitória de Lula e reforçou: "Aos vencedores, o mandato. Aos perdedores, o reconhecimento da derrota”.

Em Minas Gerais, um dos estados que mais foram afetados pelas interdições, o governador Romeu Zema (Novo), que também apoiou Bolsonaro, afirmou que solicitou às forças de segurança para que atuassem na liberação das vias e "assegurar o direito de ir e vir".

Durante a manhã, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou a Polícia Militar dos estados para atuar na desobstrução das vias, como forma de ajudar agentes da PRF — a fiscalização de rodovias é competência original da PRF. Moraes ainda autorizou que os PMs pudessem multar e prender caminhoneiros que estivessem participando dos bloqueios.

Além dos governadores, outras autoridades condenaram os bloqueios. Na noite de segunda-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), foi às redes sociais para reafirmar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que a vitória nas urnas é "absoluta e insuscetível a quaisquer questionamentos".

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Na tarde desta terça-feira, Bolsonaro se pronunciou publicamente pela primeira vez desde que saiu derrotado nas urnas, no último domingo, e não condenou os bloqueios feitos por caminhoneiros bolsonaristas, a que se referiu como "fruto de indignação e sentimento de injustiça sobre como se deu o processo eleitoral". O titular do Palácio do Planalto, no entanto, afirmou que a direita não poderia seguir o suposto movimento da direita não poderia se equiparar aos "métodos da esquerda":

— Manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedade, destruição de patrimônio e fechamento do direito de ir e vir.

Efeito na economia

Os bloqueios em rodovias federais acenderam um alerta entre o setor empresarial brasileiro, que durante a tarde desta terça-feira passou a manifestar o temor de escassez de suprimentos, como combustível e querosene de aviação — nesta segunda-feira, 500 passageiros não conseguiram chegar no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, e voos foram cancelados. No Rio de Janeiro, viagens que partiam da rodoviária foram canceladas por dificuldade de deslocamento. A mesma dificuldade de abastecimento foi manifestada por associações supermercadistas.