Segundo rebaixamento da Vai-Vai é reflexo de dívidas, diz presidente da escola

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 23.04.2022 - A Vai-Vai desfila no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, durante o desfile das escolas de samba do grupo especial do Carnaval. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 23.04.2022 - A Vai-Vai desfila no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, durante o desfile das escolas de samba do grupo especial do Carnaval. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHPARESS) - O rebaixamento ao Grupo de Acesso pela segunda vez em três anos da escola de samba Vai-Vai, a maior campeã do Carnaval paulistano, é reflexo de problemas financeiros, segundo o presidente, Clarício Gonçalves.

"Nossa previsão era ficar entre as dez primeiras escolas, e não em último lugar", diz. A Colorado do Brás foi a segunda escola rebaixada neste ano.

O presidente conta que há dois anos a Vai-Vai usa quase toda a sua fonte de renda para pagar dívidas herdadas da gestão do ex-presidente Darly Silva, o Neguitão, que deixou o posto em 2019, logo após o primeiro rebaixamento da escola.

Durante o mandato de Neguitão, a agremiação enfrentou investigação por suspeita de desvio de verba pública. De acordo com inquérito civil aberto em 2018 pela Promotoria do Patrimônio Público, a escola de samba não apresentou a prestação de contas referente ao repasse de dinheiro público ao Carnaval daquele ano, no valor de R$ 1,2 milhão. "Essa questão já está superada", diz o presidente.

Na mesma representação do Ministério Público há referência a uma dívida de cerca de R$ 3 milhões que a escola acumulou com diversos fornecedores. Há registros em cartórios de protestos e processos judiciais de execução e de penhora, de acordo com a Promotoria.

O desfile deste ano foi o primeiro da agremiação desde a volta ao Grupo Especial depois do primeiro rebaixamento e dos dois anos sem Carnaval por causa da pandemia de Covid-19.

Para o atual presidente, mais amargo do que ficar na lanterna do campeonato de 2022 foi a escola ter perdido pontos em quesitos que historicamente só recebe a nota mais alta, como bateria, casal de mestre-sala e porta-bandeira e comissão de frente. "Foi uma fatalidade quando ouvimos aquelas notas. Nós perdemos para nós mesmos", diz o presidente. A Vai-Vai acumula 15 títulos no Carnaval.

Considerada uma das melhores baterias de escola de samba de São Paulo, a Pegada de Macaco recebeu três notas 9,9. Em 2019, quando foi rebaixada pela primeira vez, a escola recebeu nota 10 de todos os jurados em matéria e mestre-sala e porta-bandeira.

Os décimos a menos neste ano foram atribuídos a um problema de evolução durante a dispersão da bateria.

Para sair na avenida sem dinheiro em caixa, Gonçalves conta que a Vai-Vai teve ajuda de outras escolas, como Unidos do Peruche, Nenê de Vila Matilde, Independente Tricolor e Mancha Verde, a campeã deste ano. "Nos emprestaram desde bases dos carros alegóricos até tecidos e ferros para as alegorias", diz.

Além disso, os fornecedores do Carnaval aceitaram vender a matéria-prima das fantasias em uma espécie de consignação com o cachê pago pela Liga das Escolas de Samba a todas as agremiações. "O dinheiro nem passava pela escola, ia direto para pagar as contas", diz o presidente.

A escola tem dívidas cobradas na Justiça pelo carnavalesco Roberto Monteiro, um dos autores do enredo de 2019, e por uma advogada que afirma não ter recebido os honorários.

Outro problema apontado foi a mudança da quadra da escola, demolida para dar lugar à futura estação 14 Bis da linha 6-laranja do Metrô.

Um acordo da escola de samba com a concessionária prevê a construção de uma sede social a poucos metros da antiga sede. O barracão funcionou de forma improvisada em terreno na avenida Olavo Fontoura, na zona norte, e em uma tenda no Sambódromo.

Escolas de samba tradicionais e relevantes para a história do Carnaval paulistano, como Camisa Verde e Branco, Pérola Negra, Nenê de Vila Matilde, Unidos do Peruche, X-9 Paulistana e Leandro de Itaquera, também têm tido dificuldade para voltar ao Grupo Especial e vão disputar novamente em 2023 nos Grupos de Acesso 1 e 2.

As escolas Estrela do Milênio e Independente Tricolor venceram o Grupo de Acesso e vão integrar a elite do Carnaval de São Paulo em 2023.

Fundada em 1998 no bairro do Grajaú, na zona sul, a Estrela do Milênio tem como escola-madrinha a Rosas de Ouro, e o presidente da Câmara Municipal, o vereador Milton Leite (União Brasil), como patrono.

A Independente Tricolor é apadrinhada pela Império de Casa Verde e foi fundada em 1987 por integrantes da torcida organizada do clube de futebol São Paulo.

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