Segurança garante a Dilma ver desfile sem protestos

A presidente Dilma Rousseff ficou blindada durante o desfile da Independência, na Esplanada dos Ministérios. O esquema foi cuidadosamente montado para impedir que Dilma fosse vaiada ou faixas de protesto pudessem ser vistas por ela. O temor era principalmente que funcionários da Polícia Federal e da Receita Federal, que ainda estão em greve, conseguissem furar o bloqueio e chegassem perto do palanque presidencial, a exemplo do que houve no ano passado.

A presidente Dilma Rousseff abre o desfile do Sete de Setembro em Brasília.Foto: Dida Sampaio/AE
Desde a madrugada desta sexta-feira, seguranças da Presidência da República ocupavam e protegiam as arquibancadas montadas para o desfile, particularmente as que ficavam nas proximidades do palanque. Vaias, desta vez, só para o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), quando seu nome foi anunciado pelos microfones. "Vaias? Que vaias? Não ouvi", desconversou ele, ao final do desfile.

A Presidência encomendou ainda que fossem colocados tapumes em toda a extensão da Esplanada, para que os protestos, que normalmente ocorrem na pista contrária ao desfile, não pudessem ser vistos ou ouvidos. Esta blindagem a Dilma, comandada pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), impediu que a população pudesse chegar perto dos palanques que, em sua maioria, estavam ocupados por servidores do Palácio do Planalto e seus familiares.

Policiais detêm manifestante do grupo feminista Femen, na Esplanada dos Ministérios (DF). Foto: André Dusek/AE
Em uma das primeiras arquibancadas na Esplanada, bem longe de onde estava a presidente, representantes do Sindicato dos Policiais Federais conseguiram ocupar o local para protestar. Além de gritar palavras de ordem contra o governo, os policiais federais vaiaram seus colegas que passaram desfilando.

Desta vez, Dilma sequer esperou a apresentação da esquadrilha da Fumaça. Às 11h05, estava deixando a Esplanada. Dezessete ministros acompanharam o desfile ao seu lado, além do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e do presidente do Supremo, Ayres Britto. O ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF), também estava no palanque.

A tradicional Marcha contra a Corrupção reuniu cerca de 8 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. O movimento - liderado por estudantes de Brasília - começou após o desfile de 7 de setembro. Com faixas e cartazes, os manifestantes pediam o fim do voto secreto e uma "faxina" no Congresso. O governador Agnelo Queiroz (PT-DF), vaiado durante a cerimônia oficial, também foi alvo do protestos. No ano passado, no auge da "faxina", o ato reuniu aproximadamente 30 mil pessoas.

Durante a cerimônia oficial, duas ativistas do grupo Femen foram detidas. Sem blusa, as mulheres conseguiram driblar a segurança e defenderam direitos das mulheres. De acordo com a PM, as duas foram levadas para a 5ª Delegacia de Polícia de Brasília.

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