Seguranças aterrorizados e ketchup na parede: histórias detalham o 6 de Janeiro nos EUA

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com o avanço das investigações do comitê responsável por apurar a invasão do Capitólio dos EUA, o 6 de Janeiro, vieram à tona casos inusitados e relatos dramáticos que oferecem novos detalhes do fatídico dia.

Um senador pró-Trump flagrado fugindo da multidão que invadiu o prédio, ketchup escorrendo pelas paredes da Casa Branca e seguranças do ex-vice presidente Mike Pence com medo de morrer ligando para familiares são algumas das situações que dão cor a um dos maiores ataques à democracia americana.

Conheça alguns dos episódios relatados nas últimas audiências.

TRUMP SE RECUSOU A DIZER QUE A 'ELEIÇÃO ACABOU'

Semanas após a divulgação do resultado das eleições, Donald Trump relutava em admitir a derrota para Joe Biden. Em vídeo revelado na audiência desta quinta (21), o republicano é visto nos bastidores da gravação de um pronunciamento em 7 de janeiro de 2021 se recusando a dizer que "a eleição acabou".

"Apenas quero dizer 'o Congresso certificou o resultado' sem dizer que a eleição acabou, ok?"

Trump gravou o vídeo devido à pressão de seu círculo mais próximo, segundo assessores da Casa Branca. O propósito era condenar a violência dos manifestantes que haviam invadido o Capitólio no dia anterior.

A gravação tem um ar de comicidade porque mostra o ex-presidente irritado com repetições na redação do discurso e com dificuldade para dizer algumas palavras. "Ontem é uma palavra difícil para mim."

AGENTES DE SEGURANÇA DE PENCE SE DESPEDIRAM DE SUAS FAMÍLIAS

Um segurança da Casa Branca, testemunhando de forma anônima, relatou ao comitê da Câmara dos EUA que agentes do Serviço Secreto designados para proteger o então vice-presidente Mike Pence estavam aterrorizados com a possibilidade de morrer e, por isso, ligaram para as suas famílias para se despedir.

A testemunha contou que podia ouvir o que os seguranças diziam em seus rádios e relatou que, conforme a turba se aproximava do prédio, "houve muitos gritos" entre os agentes. Eles também estiveram a ponto de usar armas com munição letal, disse a testemunha, também na última quinta-feira.

OFICIAIS ELEITORAIS SOFRERAM PERSEGUIÇÃO

Oficiais que trabalharam nas eleições de 2020 relataram ao comitê em junho terem sofrido perseguição de apoiadores de Trump por não compactuarem com as mentiras do ex-presidente.

O chefe eleitoral do estado do Arizona, Rusty Bowers, contou que um grupo com algumas pessoas armadas fez piquete em frente à sua casa e o acusou de ser "pedófilo, pervertido e político corrupto" por ter se recusado a chamar a eleição de fraudada. O episódio ocorreu no momento em que sua filha estava em casa passando por uma doença grave, segundo Bowers —ela morreu semanas depois.

Shaye Moss e sua mãe, Ruby Freeman, que contabilizaram cédulas em Atlanta, foram acusadas sem provas de inserirem 18 mil votos para Biden na contagem. De acordo com Moss, no mês seguinte à eleição um advogado do republicano divulgou um vídeo no qual ela aparece recebendo algo de sua mãe.

Os apoiadores de Trump afirmavam que era um drive USB que teria sido usado para realizar a fraude, mas ela contou no depoimento na Câmara que o tal pacotinho continha balas de gengibre. "Isto virou a minha vida de cabeça para baixo. Eu não quero que ninguém saiba o meu nome", afirmou ela ao comitê.

SENADOR REPUBLICANO PRÓ-TRUMP SAIU CORRENDO

Depois de levantar o braço em um gesto de incentivo aos manifestantes que estavam prestes a invadir o Capitólio, o senador republicano Josh Hawley, do estado do Missouri, não teve a mesma empolgação quando a massa entrou no prédio —ele saiu correndo entre seguranças do prédio para fugir da confusão.

As imagens algo cômicas da fuga —dado que Hawley carregava documentos embaixo do braço, como se fosse a uma reunião— foram exibidas na audiência desta quinta. Uma policial que trabalhou na ocasião se disse incomodada com a atitude do senador, pois ele estava atrás de uma barreira de seguranças ao fazer o gesto de apoio, mas ao entrar no prédio deixou a tarefa de lidar com a multidão para os oficiais.

O vídeo com a escapada pelos corredores do Capitólio serviu de inspiração para memes com referências a canções com a palavra correr, como "Born to Run", de Bruce Springesteen, e "Running Up That Hill", de Kate Bush, faixa que ganhou nova vida depois de figurar na trilha da série "Stranger Things".

RUDY GIULIANI, BÊBADO, ACONSELHOU TRUMP

Outra das revelações desta quinta foi a de que o ex-advogado de Trump e ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani estava bêbado no momento em que estimulou o republicano a declarar vitória na noite do dia da votação das eleições de 2020, segundo relato de Jason Miller, ex-assessor de comunicação de Trump.

Giuliani estava "definitivamente embriagado" ao aconselhar o republicano a alegar que havia vencido, disse ele. Mesmo com os resultados das urnas ainda chegando, o advogado teria sugerido que o hoje ex-presidente "diga que conquistamos a vitória imediatamente". Ele negou que estivesse intoxicado.

KETCHUP NA PAREDE DA CASA BRANCA

Depois que o então secretário de Justiça William Barr, um apoiador fervoroso de Trump, deu uma entrevista à agência Associated Press, em dezembro de 2020, dizendo que não havia fraude nas eleições, Trump ficou tão furioso que jogou seu prato de comida na parede, manchando-a com ketchup, contou ao comitê Cassidy Hutchinson, ex-assessora da Casa Branca, num testemunho dado no final de junho.

"Havia ketchup pingando na parede e um prato de porcelana quebrado no chão", afirmou, acrescentando que pegou uma toalha e começou a limpar a parede junto com um manobrista presidencial.

TRUMP TENTOU TOMAR VOLANTE DA LIMUSINE PARA IR AO CAPITÓLIO

No meio da confusão do 6 de Janeiro, enquanto a turba avançava a caminho da sede do Legislativo americano, Trump teria tentado pegar a direção da limusine da Casa Branca de um agente do Serviço Secreto ao saber que não seria levado ao Congresso. "Sou o maldito presidente, leve-me ao Capitólio agora", disse ele, segundo Hutchinson, no mesmo depoimento que prestou ao comitê em junho.

Na Truth, rede social que fundou, Trump negou que tenha tentado tomar o volante do veículo e classificou o depoimento da ex-assessora de "doente" e "fraudulento".

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